– Sim – “Sim”, o corvo resmungou, pavoneando-se. “Sim, sim, sim”.

– O senhor sabia?

– Smallwood me disse. Há muito tempo. Todos os patrulheiros sabem, embora poucos falem disso.

– Meu tio sabia?

– Todos os patrulheiros – Mormont repetiu. – Acha que eu devia impedi-lo. Matá-lo, se necessário? – o Velho Urso suspirou. – Se fosse só o caso de ele querer se livrar de algumas bocas, de bom grado mandaria Yoren ou Conwys recolher os garotos. Poderíamos criá-los para o negro, e a Patrulha teria essa força a mais. Mas os selvagens servem a deuses mais cruéis do que eu ou você. Aqueles garotos são as oferendas de Craster. As suas preces, se preferir.

Suas mulheres devem fazer preces diferentes, Jon pensou.

– Como foi que ficou sabendo disto? – perguntou-lhe o Velho Urso. – Por uma das mulheres de Craster?

– Sim, senhor – Jon confessou. – Preferia não lhe dizer qual. Ela estava assustada e queria ajuda.

– Este vasto mundo está cheio de pessoas que querem ajuda, Jon. Seria bom que algumas encontrassem coragem para se ajudar a si próprias. Craster está deitado no seu sótão agora mesmo, fedendo a vinho e inconsciente. Sobre a sua mesa, na parte de baixo, há um machado novo e afiado. Se fosse eu, chamaria isso de “Prece atendida” e daria um fim nele.

Sim. Jon pensou em Goiva. Nela e nas suas irmãs. Eram dezenove, e Craster apenas um, mas…

– No entanto, seria um dia ruim para nós se Craster morresse. Seu tio poderia lhe contar as vezes em que a Fortaleza de Craster constituiu a diferença entre a vida e a morte para nossos patrulheiros.

– Meu pai… – Jon hesitou.

– Continue, Jon. Diga o que quer dizer.

– Meu pai, uma vez, disse-me que há homens que não valem a pena – ele concluiu. – Um vassalo que é brutal ou injusto desonra tanto seu suserano como a si mesmo.

– Craster é somente dele mesmo. Não nos prestou juramento. Nem está sujeito às nossas leis. Seu coração é nobre, Jon, mas aprenda aqui uma lição. Não podemos pôr o mundo nos eixos. Não é esse o nosso propósito. A Patrulha da Noite tem outras guerras a travar.

Outras guerras. Sim. Tenho de me lembrar disso.

– Jarman Buckwell disse que posso precisar da minha espada em breve.

– Ah, ele disse? – Mormont não parecia contente. – Craster disse muitas coisas, e mais algumas, ontem à noite, e confirmou o suficiente dos meus temores para me condenar a uma noite sem sono no seu piso. Mance Rayder está reunindo seu povo nas Presas de Gelo. É por isso que as aldeias estão vazias. É a mesma história que Sor Denys Mallister obteve da selvagem que seus homens capturaram na Garganta, mas Craster acrescentou o onde, e isso faz toda a diferença.

– Está criando uma cidade, ou um exército?

– Bem, esta é questão. Quantos selvagens há lá? Quantos homens em idade de lutar? Ninguém sabe com certeza. As Presas de Gelo são cruéis, inóspitas, um deserto de pedra e gelo. Não sustentarão um número grande de pessoas por muito tempo. Só vejo um propósito nesta reunião. Mance Rayder pretende atacar em direção ao sul, para o interior dos Sete Reinos.

– Os selvagens já invadiram o reino antes – Jon ouvira histórias tanto da Velha Ama como de Meistre Luwin, em Winterfell. – Raymun Barba-Vermelha os levou ao sul nos tempos do avô do meu avô, e antes dele houve um rei chamado Bael, o Bardo.

– Sim, e muito antes deles houve Lorde Chifrudo e os reis irmãos Gendel e Gorne, e nos tempos antigos Joramun, que soprava o Berrante do inverno e evocava gigantes da terra. Cada um desses homens teve sua força quebrada na Muralha, ou foi quebrado pelo poder de Winterfell, do outro lado… Mas a Patrulha da Noite é apenas uma sombra do que foi. E quem resta para se opor aos selvagens além de nós? O Senhor de Winterfell está morto, e seu herdeiro levou suas forças para o sul a fim de lutar contra os Lannister. Os selvagens podem não ter uma chance como esta de novo. Eu conheci Mance Rayder, Jon. Ele é um perjuro, é certo… mas tem olhos para ver, e nenhum homem se atreveu alguma vez a chamá-lo de medroso.

– O que faremos? – Jon quis saber.

– Vamos encontrá-lo – Mormont respondeu. – Lutaremos com ele. Vamos pará-lo.

Trezentos, Jon pensou, contra a fúria dos selvagens. Seus dedos se abriram e se fecharam.

Theon

Era inegavelmente uma beleza. Mas o primeiro é sempre belo, Theon Greyjoy pensou.

– Ora, aí está um sorriso bonito – disse uma voz de mulher atrás de si. – O fidalgo gosta do que vê, é isso?

Theon virou-se para avaliar. Gostou do que viu. Percebeu, num relance, que era natural das ilhas; esguia, de pernas longas, com cabelo negro cortado curto, pele esfolada pelo vento, mãos fortes e seguras, uma adaga no cinto. O nariz era grande e afilado demais para sua cara magra, mas o sorriso compensava. Estimou que seria alguns anos mais velha do que ele, mas com menos de vinte e cinco anos. Movia-se como se estivesse habituada a ter um convés debaixo dos pés.

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