– O que está morto não pode morrer – Esgred rebateu.
– O que está morto não pode morrer.
Theon murmurou as palavras com eles.
– Parece conhecer muita gente – ele disse à mulher depois de os homens passarem.
– Todos os homens gostam da mulher do construtor de navios. E é bom que gostem, a menos que queiram que seu navio afunde. Se precisa de homens para puxar os seus remos, encontrará piores do que aqueles três.
– Fidalporto não tem falta de braços fortes – Theon já pensara bastante no assunto. Era guerreiros que queria, e homens que
– A força não basta. Os remos de um dracar devem se mover como um só para obter a velocidade máxima. Se for sensato, escolherá homens que já remaram juntos antes.
– Sábio conselho. Talvez queira me ajudar a escolhê-los –
– Talvez. Se me tratar com gentileza.
– De que outra forma a trataria?
Theon acelerou o passo ao se aproximarem do
– Senhora – chamou uma voz suplicante vinda do castelo de proa do navio mercante. A filha do capitão debruçava-se sobre a amurada, olhando-o. O pai a proibira de ir à terra firme, mas sempre que Theon vinha a Fidalporto vislumbrava-a vagando desamparadamente pelo convés. – Senhora, um momento – ela chamou novamente. – Se agradar ao senhor.
– Agradou? – Esgred perguntou, enquanto Theon a apressava para passar pelo barco pesqueiro. – Ela agradou ao senhor?
Não viu motivo para ser recatado com aquela mulher.
– Durante algum tempo. Agora quer ser a minha esposa de sal.
– O-ho. Bem, ela sem dúvida precisa de um pouco de sal. Essa é branda e doce demais. Ou será que me engano?
– Não –
Tinha dito a Wex para esperar na estalagem. A sala comum estava tão cheia de gente, que Theon precisou abrir caminho até a porta aos empurrões. Não havia nenhum lugar vago nas mesas ou no banco. E também não viu o escudeiro.
–
– É hora de ir – Theon anunciou.
Quando o rapaz não prestou atenção, puxou-o por uma das orelhas e o arrancou do jogo. Wex agarrou um punhado de moedas de cobre e seguiu, sem uma palavra. Esta era uma das coisas que Theon mais gostava nele. A maioria dos escudeiros tinha a língua solta, mas Wex nasceu mudo… o que não parecia impedi-lo de ser tão esperto como qualquer rapaz de doze anos tinha direito de ser. Era filho ilegítimo de um dos meios-irmãos de Lorde Botley. Tomá-lo como escudeiro tinha sido parte do preço que Theon pagara pelo cavalo.
Quando Wex viu Esgred, seus olhos ficaram redondos.
– Esgred vai comigo para Pyke. Sele os cavalos, rápido.
O rapaz tinha vindo montado num pequeno garrano ossudo dos estábulos de Lorde Balon, mas a montaria de Theon era um tipo de animal bem diferente.
– Onde encontrou esse cavalo dos infernos? – perguntou-lhe Esgred quando o viu, mas, pelo modo como riu, Theon soube que tinha ficado impressionada.
– Lorde Botley comprou-o em Lanisporto há um ano, mas ele se mostrou cavalo demais, e Botley ficou feliz por vendê-lo – as Ilhas de Ferro eram pobres e rochosas demais para a criação de bons cavalos. A maior parte dos ilhéus não passava de cavaleiros inexpressivos, mais confortáveis no convés de um dracar do que sobre uma sela. Até os senhores montavam garranos ou pôneis peludos de Harlaw, e os carros de bois eram mais comuns do que os puxados a cavalo. Os plebeus que eram pobres demais para possuir uma coisa ou outra puxavam eles próprios as charruas pelo solo raso e pedregoso.