Ao sair do estábulo no seu castrado malhado, Tyrion ouviu o som de música pairando sobre os telhados. Era agradável pensar que os homens ainda cantavam, mesmo no meio dos massacres e da fome. Notas recordadas encheram sua cabeça, e por um momento quase conseguiu ouvir Tysha cantando para ele como cantara meia vida antes. Puxou as rédeas para escutar. A melodia estava errada, e as palavras indistintas demais para que as compreendesse. Era então uma canção diferente, e por que não? Sua querida e inocente Tysha tinha sido uma mentira do início ao fim, nada mais do que uma prostituta que o irmão Jaime contratara para fazer dele um homem.

Agora estou livre de Tysha, pensou. Ela me assombrou durante metade da minha vida, mas já não preciso dela, não mais do que preciso de Alayaya, Dancy ou Marei, ou das centenas de mulheres iguais a elas com que fui me deitando ao longo dos anos. Agora tenho Shae. Shae.

Os portões da mansão estavam fechados e trancados. Tyrion bateu até que o ornamentado olho de bronze se abriu com um estalido.

– Sou eu.

O homem que o deixou entrar era uma das mais belas descobertas de Varys, um faquista de Bravos com um lábio leporino e um olho vesgo. Tyrion não quis guardas jovens e bonitos passeando em torno de Shae dia após dia. “Arranje-me homens velhos, feios e com cicatrizes, de preferência impotentes”, tinha dito ao eunuco. “Homens que prefiram rapazes. Ou, melhor ainda, homens que prefiram ovelhas.” Varys não conseguira arranjar nenhum amante de ovelhas, mas encontrara um estrangulador eunuco e um par de ibbeneses malcheirosos que gostavam tanto de machados como um do outro. Os outros eram um bando de mercenários de fazer inveja a qualquer masmorra, cada um mais feio do que o outro. Quando Varys os fez desfilar à sua frente, Tyrion temeu que o eunuco tivesse ido longe demais, mas Shae nunca expressou uma palavra de queixa. E por que haveria de expressar? Nunca se queixou de mim, e eu sou mais hediondo do que todos os seus guardas juntos. Talvez nem sequer veja a feiura.

Mesmo assim, Tyrion teria preferido usar alguns de seus homens dos clãs da montanha para guardar a mansão; talvez os Orelhas Negras de Chella, ou os Irmãos da Lua. Depositava mais fé na férrea lealdade e no sentido de honra deles do que na ganância de mercenários. Mas o risco era elevado demais. Porto Real inteira sabia que os selvagens lhe pertenciam. Se mandasse para ali os Orelhas Negras, seria apenas uma questão de tempo até que toda a cidade soubesse que a Mão do Rei mantinha uma concubina.

Entregou o cavalo a um dos ibbeneses.

– Acordou-a? – perguntou-lhe Tyrion.

– Não, senhor.

– Ótimo.

O fogo, no quarto, ardera até deixar apenas brasas, mas o aposento ainda estava quente. Shae tinha empurrado as mantas e os lençóis para longe enquanto dormia. Jazia nua sobre seu colchão de penas, com as suaves curvas de seu corpo jovem delineadas pelo tênue brilho vindo da lareira. Tyrion parou à porta e bebeu da visão da moça. Mais jovem do que Marei, mais doce do que Dancy, mais bela do que Alayaya, é tudo de que preciso, e ainda mais. Perguntou a si mesmo como podia uma prostituta parecer tão limpa, doce e inocente.

Não pretendia perturbá-la, mas vê-la foi o suficiente para deixá-lo excitado. Deixou que as roupas caíssem ao chão, depois subiu para a cama, afastou suas pernas com gentileza e beijou-a entre as coxas. Shae murmurou no sono. Tyrion voltou a beijá-la, e lambeu sua doçura secreta, uma e outra vez, até que tanto a barba dele como a boceta dela ficaram ensopadas. Quando ela soltou um suave gemido e estremeceu, ele subiu, penetrou-a e explodiu quase de imediato.

Os olhos da garota estavam abertos. Ela sorriu, afagou sua cabeça e sussurrou:

– Tive agora mesmo o mais doce dos sonhos, senhor.

Tyrion mordiscou seu pequeno mamilo túrgido e aninhou a cabeça no seu ombro. Não saiu de dentro dela; gostaria de nunca ter de sair dali.

– Isso não é sonho nenhum – garantiu-lhe. É real, tudo isso, pensou, as guerras, as intrigas, o grande jogo sangrento, e eu no centro de tudo… eu, o anão, o monstro, aquele de quem zombavam e riam. Mas agora tenho tudo, o poder, a cidade, a moça. Foi para isso que fui feito e, que os deuses me perdoem, adoro tudo

E a ela. E a ela.

Arya

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