Tyrion refletiu sobre os homens que tinham sido Mão antes dele e que se revelaram incapazes de vencer os ardis da irmã.
Apesar da hora, o bordel estava apinhado. Chataya saudou-os agradavelmente e os levou para a sala comum. Bronn subiu com uma moça de olhos escuros, de Dorne, porque Alayaya estava ocupada.
– Ficará tão satisfeita por saber que veio – Chataya lhe disse. – Mandarei preparar o quarto da torre. O senhor aceita uma taça de vinho enquanto espera?
– Aceito – Tyrion respondeu.
O vinho era fraco se comparado com as colheitas da Árvore que a casa servia habitualmente.
– Tem de nos perdoar, senhor – Chataya se desculpou. – Ultimamente não consigo encontrar bom vinho por nenhum preço.
– Temo que não seja só você.
Chataya lamentou-se com ele durante um momento, depois pediu desculpas e afastou-se.
Alguns dos outros clientes a olhavam de canto de olho. Da última vez que se aventurara a sair, um homem tinha cuspido nele… bem, tentara fazê-lo. Em vez disso, cuspiu em Bronn, e dali em diante passou a cuspir sem o auxílio dos dentes.
– O senhor está se sentindo carente? – Dancy tinha deslizado para o seu colo e mordiscava sua orelha. – Tenho cura para isso.
Sorrindo, Tyrion balançou a cabeça:
– É tão bela que não tenho palavras, doçura, mas tornei-me amigo do remédio de Alayaya.
– Nunca
– Talvez da próxima vez – Tyrion não tinha dúvidas de que com Dancy teria um bocado de diversão. Possuía um nariz achatado, com sardas e uma juba de espessos cabelos ruivos que caía até depois da cintura. Mas ele tinha Shae à espera na mansão.
Aos risinhos, ela pousou a mão entre as suas coxas e apertou através dos calções.
– Acho que
– Dancy – Alayaya estava na porta, escura e calma em suas sedas verdes e transparentes. – Sua senhoria veio me visitar.
Tyrion desembaraçou-se gentilmente da outra garota e pôs-se em pé. Dancy não pareceu se importar.
– Da próxima vez – ela disse, enfiando um dedo na boca para chupá-lo.
Enquanto subia as escadas à sua frente, a moça de pele negra disse:
– Pobre Dancy. Tem uma quinzena para conseguir que o senhor a escolha. Caso contrário, perde as pérolas negras para Marei.
Marei era uma garota calma, de pele clara e delicada em que Tyrion reparara uma ou duas vezes. Olhos verdes e pele de porcelana, longos cabelos lisos e prateados, muito encantadora, mas muito mais pomposa do que devia ser.
– Detestaria que a pobre moça perdesse as pérolas por minha causa.
– Então suba com ela da próxima vez.
– Talvez o faça.
Ela sorriu:
– Creio que não, senhor.
No quarto do torreão, enquanto abria a porta do guarda-roupa, olhou com curiosidade para Alayaya:
– O que você vai fazer enquanto eu não estiver aqui?
Ela ergueu os braços e espreguiçou-se como uma gata negra cheia de saúde:
– Dormirei. Tenho descansado muito mais desde que começou a nos visitar, senhor. E Marei anda nos ensinando a ler, talvez em breve seja capaz de passar o tempo com um livro.
– Dormir é bom – ele respondeu. – E os livros são melhores – deu-lhe um beijo rápido na face. Depois seguiu pelo alçapão abaixo e pelo túnel afora.