E construiu mais cinco castelos, cada um maior e mais forte que o anterior, só para vê-los esmagados quando os ventos de temporal subiam, uivando, a Baía dos Naufrágios, conduzindo à sua frente grandes muralhas de água. Seus senhores suplicaram-lhe que construísse no interior; os sacerdotes disseram-lhe que tinha de aplacar os deuses devolvendo Elenei ao mar; até o povo lhe pediu para ceder. Durran não quis escutá-los. E ergueu um sétimo castelo, o mais maciço de todos. Uns diziam que os filhos da floresta o ajudaram a construí-lo, dando forma às pedras com magia; outros afirmavam que um garotinho lhe tinha dito o que fazer, um garoto que cresceria para se tornar Bran, o Construtor. Independentemente de como a história era contada, o fim era igual. Embora os irados deuses atirassem tempestade atrás de tempestade contra o sétimo castelo, ele se manteve firme e desafiador, e Durran Desgosto-Divino e a bela Elenei habitaram-no juntos até o fim de seus dias.
Mas os deuses não esquecem, e os ventos de tormenta ainda atravessam em fúria o mar estreito. Mas Ponta Tempestade resistiu, durante séculos e dezenas de séculos, um castelo como nenhum outro. Sua grande muralha exterior possuía trinta metros contínuos de altura, sem seteiras ou poternas, arredondada por todo o lado, em curva,
– Senhora – Hal Mollen chamou Catelyn. Dois cavaleiros tinham emergido do pequeno acampamento ordenado sob o castelo e dirigiam-se para eles em passo lento. – Deve ser o Rei Stannis.
– Sem dúvida – Catelyn os observou avançando.
Renly seria o último a chegar. Tinha lhe dito isso quando ela partiu. Não pretendia montar a cavalo antes de ver o irmão bem adiantado no caminho. O primeiro a chegar teria de esperar pelo outro, e Renly não esperaria.
Enquanto Stannis ia se aproximando, ela viu que ele usava uma coroa esculpida em forma de chamas. Seu cinto era guarnecido de granadas e topázio amarelo, e um grande rubi cortado em forma de quadrado estava incrustado no cabo da espada que usava. Além disso, seu vestuário era simples: justilho de couro com tachas sobre um gibão acolchoado, botas gastas, calções de tecido grosseiro marrom. O símbolo em sua bandeira amarela, como o sol mostrava, era um coração vermelho rodeado por chamas laranjas. O veado coroado estava lá, sim… encolhido e fechado no interior do coração. Ainda mais curiosa era sua porta-estandartes… uma mulher, toda vestida de vermelho, com o rosto escondido pelo grande capuz do manto escarlate.
– Senhora Stark – disse Stannis Baratheon com uma cortesia gelada, quando refreou o cavalo. Inclinou a cabeça, mais calva do que Catelyn se recordava.
– Lorde Stannis – ela respondeu.
Sob a barba bem aparada, seu pesado maxilar apertou-se com força, mas não a incomodou com títulos. Por esse fato, Catelyn sentiu-se devidamente grata.
– Não esperava encontrá-la em Ponta Tempestade.
– Não esperava estar aqui.
Seus olhos cavos olharam-na com desconforto. Aquele não era um homem dado a cortesias fáceis.
– Lamento a morte de seu senhor – disse –, muito embora Eddard Stark não fosse meu amigo.
– Nunca foi seu inimigo, senhor. Quando os senhores Tyrell e Redwyne o tiveram prisioneiro naquele castelo, faminto, foi Eddard Stark quem quebrou o cerco.
– Às ordens de meu irmão, não por gostar de mim – Stannis respondeu. – Lorde Eddard cumpriu seu dever, não nego. Terei alguma vez feito menos do que isso?
– Isso foi vontade de seu irmão. Ned nunca quis o cargo.
– Mas o aceitou. Aquilo que devia ter sido meu. Mesmo assim, dou-lhe minha palavra, terá justiça por seu assassinato.