Por baixo do vidro de dragão estava um velho corno de guerra, feito de chifre de auroque com faixas de bronze. Jon sacudiu-o, e uma torrente de pontas de flecha jorrou lá de dentro. Deixou-as cair, e puxou um canto do pano em que as armas tinham sido envolvidas, esfregando-o entre os dedos.
Mesmo antes de Jon se levantar e sacudir o que tinha na mão, sabia o que era: o manto negro de um Irmão Juramentado da Patrulha da Noite.
Bran
Alebelly foi encontrá-lo na forja, trabalhando nos foles para Mikken.
– Meistre o quer no torreão, senhor príncipe. Chegou uma ave do rei.
– De Robb?
Excitado, Bran não esperou por Hodor, e deixou que Alebelly subisse os degraus levando-o no colo. Era um homem grande, embora não tanto quanto Hodor, e nem de longe tão forte. Quando chegaram ao torreão do meistre, o homem tinha o rosto vermelho e arquejava. Rickon chegara antes deles, e ambos os Walder Frey também.
Meistre Luwin mandou Alebelly embora e fechou a porta.
– Senhores – disse em tom grave –, recebemos uma mensagem de Sua Graça, com boas e más notícias. Conseguiu uma grande vitória no oeste, desbaratando um exército Lannister num lugar chamado Cruzaboi, e tomou também vários castelos. Escreve-nos de Cinzamarca, anteriormente o castro da Casa Marbrand.
Rickon puxou a toga do meistre:
– Robb vem para casa?
– Temo que não. Ainda há batalhas para lutar.
– Foi Lorde Tywin que ele derrotou? – Bran perguntou.
– Não – o meistre respondeu. – Quem comandava a tropa inimiga era Sor Stafford Lannister. Foi morto na batalha.
Bran nunca ouvira falar de Sor Stafford Lannister. Acabou concordando com o Grande Walder quando ele disse:
– Lorde Tywin é o único que importa.
– Diga a Robb que quero que venha para casa – Rickon pediu. – Também pode trazer o lobo dele, e a mãe e o pai – embora soubesse que Lorde Eddard estava morto, às vezes Rickon se esquecia… e Bran suspeitava que fazia isso de propósito. O irmão mais novo era teimoso como só um garoto de quatro anos sabia ser.
Bran sentia-se contente pela vitória de Robb, mas também inquieto. Lembrou-se do que Osha dissera no dia em que o irmão saíra de Winterfell à frente de seu exército.
– Infelizmente, não há vitória que não tenha seu preço – Meistre Luwin virou-se para os Walder. – Senhores, seu tio, Sor Stevron Frey, está entre aqueles que perderam a vida em Cruzaboi. Robb escreve que foi ferido na batalha. Não achavam que fosse algo sério, mas três dias mais tarde morreu na tenda enquanto dormia.
Grande Walder encolheu os ombros:
– Era muito velho. Sessenta e cinco anos, acho eu. Velho demais para batalhas. Andava sempre dizendo que estava cansado.
Pequeno Walder soltou um assobio:
– Cansado de esperar que o nosso avô morra, você quer dizer. Isso significa que Sor Emmon é agora o herdeiro?
– Não seja burro – o primo rebateu. – Os filhos do primogênito vêm antes do segundo filho. O seguinte na linha de sucessão é Sor Ryman, e depois Edwyn, e Walder Negro e Petyr Espinha. E depois Aegon, e todos os filhos
– Ryman também é velho – disse o Pequeno Walder. – Já passou dos quarenta, aposto. E tem uma barriga ruim. Acha que ele vai ser o senhor?
–
Meistre Luwin o interrompeu com intensidade:
– Deveriam ter vergonha dessa conversa, senhores. Onde está o pesar de vocês? Seu tio está morto.
– Sim – disse o Pequeno Walder. – Estamos muito tristes.
Mas não estavam. Bran teve uma sensação estranha na barriga.
– Muito bem – o meistre fez soar a sineta para que a ajuda viesse. Hodor devia estar ocupado nos estábulos. Foi Osha quem apareceu. Mas a mulher era mais forte do que Alebelly, e não teve problemas em erguer Bran nos braços e levá-lo degraus abaixo.
– Osha – Bran perguntou enquanto atravessavam o pátio. – Você conhece o caminho para o norte? Até a Muralha e… e mesmo para além dela?
– O caminho é simples. Procure o Dragão de Gelo e siga a estrela azul no olho do cavaleiro – ela atravessou uma porta de costas e começou a subir os degraus em espiral.
– E ainda existem gigantes lá, e… o resto… os Outros, e também os filhos da floresta?
– Os Gigantes eu vi, dos filhos ouvi falar em histórias, e os caminhantes brancos… Por que você quer saber?
– Alguma vez viu um corvo com três olhos?
– Não – ela riu. – E não posso dizer que queira vê-lo – Osha abriu a porta do quarto de Bran com um chute e colocou-o no banco da janela, de onde podia observar o pátio lá embaixo.
Pareceu não se passar mais do que alguns instantes antes de a porta voltar a se abrir e Jojen Reed entrar sem ser convidado, com a irmã Meera logo atrás.