Sor Addam Marbrand foi o primeiro dos capitães a partir, um dia antes dos outros. Fez disso um galante espetáculo, montando um corcel vermelho temperamental, cuja crina tinha a mesma cor acobreada dos cabelos longos que fluíam até abaixo dos ombros de seu montador. O cavalo usava arreios de bronze, tingidos para combinar com o manto do cavaleiro e decorados com a árvore em chamas. Algumas das mulheres do castelo soluçaram ao vê-lo partir. Weese disse que era um grande cavaleiro e espadachim, o mais ousado dos comandantes de Lorde Tywin.
Weese tinha feito Arya entregar mensagens da alvorada ao crepúsculo. Algumas até a levaram para lá das muralhas do castelo, até o meio da lama e da loucura do acampamento.
– Não vai ser um espancamento, ah, não. Não vou encostar um dedo em você. Vou só guardá-la para o qohorano, ah, se guardo, guardo-a para o Estropiador. Seu nome é Vargo Hoat e, quando voltar, vai cortar seus pés –
Mas Weese nunca imaginou que ela soubesse ler, e nunca se incomodou em selar as mensagens que lhe dava. Arya espiava todas, mas nunca eram nada de bom, só coisas bestas, enviar este carro para o celeiro e aquele para o armeiro. Uma era uma exigência de pagamento de uma dívida de jogo, mas o cavaleiro a quem a deu não sabia ler. Quando lhe falou o que dizia, tentou bater nela, mas Arya esquivou-se do golpe, abaixando-se, tirou de sua sela um corno de beber com faixas de prata, e fugiu. O cavaleiro rugiu e veio atrás dela, mas Arya se esgueirou por entre dois carros, abriu caminho pelo meio de um aglomerado de arqueiros e saltou por cima de uma fossa. Com a cota de malha vestida, ele não conseguiu acompanhá-la. Quando deu o corno a Weese, ele lhe disse que uma pequena Doninha esperta como ela merecia uma recompensa:
– Estou de olho num capão rechonchudo e estaladiço para o jantar de hoje. Vamos dividi-lo, você e eu. Vai gostar.
Onde quer que fosse, Arya procurava por Jaqen H’ghar, desejando sussurrar-lhe outro nome antes que aqueles que odiava estivessem todos para lá de seu alcance mas, no meio do caos e confusão, o mercenário de Lorath não se encontrava em lugar nenhum. Ainda lhe devia duas mortes, e ela se preocupava com a hipótese de nunca obtê-las se ele partisse para a batalha com os outros. Por fim, arranjou coragem para perguntar a um dos guardas do portão se ele tinha partido.
– É um dos homens de Lorch, não é? – o homem perguntou. – Então não saiu. Sua senhoria nomeou Sor Amory castelão de Harrenhal. Esses todos vão ficar aqui, para defender o castelo. Os Saltimbancos Sangrentos também vão ser deixados aqui, para cuidar dos abastecimentos. Aquele bode do Vargo Hoat é capaz de ir parar no espigão, ele e Lorch sempre se odiaram.
Mas a Montanha partiria com Lorde Tywin. Iria comandar a vanguarda na batalha, o que queria dizer que Dunsen, Polliver e Raff escorrerriam todos pelos seus dedos, a menos que conseguisse encontrar Jaqen e o mandasse matar um deles antes de partirem.
– Doninha – Weese a chamou nessa mesma tarde. – Vá ao arsenal e diga a Lucan que Sor Lyonel fez um entalhe na espada durante o treino e precisa de uma nova. Está aqui o sinal dele – entregou-lhe um quadrado de papel. – E rápido, que ele deve partir com Sor Kevan Lannister.