Por um momento, tinha voltado a ser uma loba, mas a bofetada de Weese roubou-lhe tudo e a deixou sem nada, a não ser o sabor do seu próprio sangue na boca. Tinha mordido a língua quando ele bateu. Odiou-o por isso.
– Quer outra? – Weese perguntou. – Não quero ver seus olhares insolentes. Vá à cervejaria e diga a Tuffleberry que tenho duas dúzias de barris para ele, mas é melhor que mande os rapazes buscá-los, senão encontro alguém que os queira mais – Arya pôs-se a caminho, mas não suficientemente depressa para Weese. – E
– A xaninha de Yoren – assim ele a chamou. – Parece que já sabemos por que é que aquele bastardo preto queria
– Eu
– Parece que lhe devo outra foda por causa disso. Yoren encheu sua xaninha, ou gostava mais desse cuzinho apertadinho?
– Estou procurando Jaqen – ela disse. – Há uma mensagem.
Rorge parou. Algo em seus olhos… seria possível que tivesse
– No balneário. Saia da minha frente.
Arya virou-se e correu, ligeira como uma corça, com os pés voando sobre as pedras arredondadas até o balneário. Encontrou Jaqen de molho numa banheira, com vapor erguendo-se à sua volta enquanto uma criada despejava água quente na sua cabeça. Seus longos cabelos, vermelhos de um lado e brancos do outro, caíam sobre seus ombros, molhados e pesados.
Arya aproximou-se, silenciosa como uma sombra, mas ele abriu os olhos mesmo assim.
– Ela vem furtiva em pequenos pés de rato, mas um homem ouve – ele disse.
– Trago uma mensagem – Arya olhou a criada com incerteza. Quando lhe pareceu que não era provável que fosse embora, inclinou-se para a frente até quase encostar sua boca na orelha dele. – Weese – ela murmurou.
Jaqen H’ghar voltou a fechar os olhos, flutuando, lânguido, meio adormecido.
– Diga a sua senhoria que um homem irá servi-la a seu tempo – ele moveu subitamente a mão, salpicando-a de água quente, e Arya teve de saltar para trás para evitar ficar ensopada.
Quando transmitiu a Tuffleberry o que Weese tinha dito, o cervejeiro praguejou em voz alta:
– Diga a Weese que meus moços têm deveres a cumprir, e diga-lhe também que é um bastardo bexiguento, e que os sete infernos hão de congelar antes que ele prove outro corno da minha cerveja. Ou eu tenho esses barris dentro da próxima hora, ou Lorde Tywin vai ouvir do assunto. Ele logo verá se não.
Weese também praguejou quando Arya trouxe aquela mensagem de volta, embora tivesse deixado de lado a parte sobre ele ser um bastardo bexiguento. Enfureceu-se e lançou ameaças, mas, por fim, reuniu seis homens e, resmungando, mandou-os levar os barris à cervejaria.
O jantar, naquela noite, foi um guisado aguado de cevada, cebola e cenouras, com uma fatia de pão de centeio duro. Uma das mulheres andava dormindo na cama de Weese, e recebeu também um bom pedaço de queijo azul e uma asa do capão de que Weese tinha falado de manhã. Ele comeu o resto sozinho, com a gordura escorrendo numa linha brilhante por entre os furúnculos que ulceravam no canto da boca. A ave estava quase no fim quando ergueu o olhar da travessa e viu que Arya o fitava.
– Doninha, venha cá.
Ainda havia algumas dentadas de carne escura presas a uma coxa.