Arya pegou o papel e correu. O arsenal ficava junto das forjas do castelo, um grande edifício de teto elevado que mais parecia um túnel, com vinte forjas construídas nas paredes e longas cubas de água em pedra para temperar o aço. Metade das forjas estava funcionando quando ela entrou. As paredes ressoavam com o som dos martelos, e homens corpulentos com aventais de couro suavam no calor sombrio enquanto se debruçavam sobre foles e bigornas. Quando vislumbrou Gendry, viu seu peito nu lustroso de suor, mas os olhos azuis sob o pesado cabelo negro tinham a mesma expressão teimosa de que se lembrava. Arya nem se deu conta de que queria falar com ele. Era culpa dele que tivessem sido apanhados.
– Qual deles é Lucan? – mostrou-lhe o papel. – Tenho de arranjar uma espada nova para Sor Lyonel.
– Deixe Sor Lyonel pra lá – Gendry a puxou para o lado pelo braço. – Na noite passada, Torta Quente me perguntou se tinha ouvido você gritar
– Nunca fiz isso.
– Fez, sim. Eu também ouvi.
– Todo mundo estava gritando coisas – Arya respondeu em tom defensivo. – Torta Quente gritou
– O que importa é o que
– Respondo – ela concordou, embora pensasse que
– Vou buscar Lucan – Gendry lhe disse.
Lucan soltou um grunhido quando olhou o que estava escrito no papel (embora Arya achasse que ele não era capaz de lê-lo), e pegou uma pesada espada longa.
– Isto é bom demais para aquele idiota, e você diga a ele que eu falei isso – o homem resmungou enquanto lhe entregava a lâmina.
– Eu digo – ela mentiu. Se fizesse tal coisa, Weese a espancaria até deixá-la sangrando. Lucan que entregasse ele próprio seus insultos.
A espada longa era muito mais pesada do que Agulha, mas Arya gostou de pegá-la. O peso do aço nas mãos fazia-a sentir-se mais forte.
Enquanto mordia o lábio, tentando não pensar no que sentiria se cortassem seus pés, um grupo de arqueiros com justilhos de couro e elmos de ferro passou por ela, com os arcos a tiracolo. Arya ouviu fragmentos das conversas.
– … gigantes, estou te dizendo, ele tem
– … não é natural, caindo sobre eles tão depressa, de noite e tudo. É mais lobo do que homem, todos aqueles Stark são…
– … caguei nos seus lobos e gigantes, o rapaz ia mijar nas calças se soubesse que estamos a caminho. Não foi homem bastante para marchar sobre Harrenhal, não é? Fugiu pro outro lado, não foi? É melhor que fuja agora, se souber o que é melhor pra ele.
– Você diz isso, mas pode ser que o rapaz saiba alguma coisa que nós não sabemos, talvez sejamos
– Doninha – a voz de Weese estalou como um chicote. Não chegou a ver de onde ele tinha vindo, mas de repente estava bem na sua frente. – Me dê isso. Demorou muito – arrancou a espada de seus dedos, e deu uma forte bofetada nela com as costas da mão. – Da próxima vez, apresse-se mais.