Afagou Rhaegal. O dragão verde fechou os dentes em torno da base do polegar e mordeu-a com força. Lá fora, a grande cidade murmurava, tamborilava e fervilhava, com toda a sua miríade de vozes fundindo-se num som grave como a arrebentação do mar.
– Abram alas, Homens de Leite, abram alas para a Mãe de Dragões – gritava Jhogo, e os qartenos afastavam-se, embora os bois talvez tivessem mais a ver com isso do que a voz dele.
Através das cortinas oscilantes, Dany capturava vislumbres do dothraki escarranchado no seu garanhão cinza. De tempos em tempos, dava em um dos bois um golpe com o chicote de cabo de prata que Dany lhe dera. Aggo montava guarda do outro lado, enquanto Rakharo cavalgava atrás da procissão, observando os rostos da multidão em busca de qualquer sinal de perigo. Naquele dia, deixara Sor Jorah para trás, a fim de guardar os outros dragões; o cavaleiro exilado opusera-se àquela loucura desde o início.
Quando Dany ergueu o cálice para beber, Rhaegal farejou o vinho e atirou a cabeça para trás, silvando.
– Seu dragão tem um bom nariz – Xaro limpou os lábios. – O vinho é simples. Dizem que para lá do Mar de Jade fazem um vinho dourado tão bom que um gole faz com que todos os outros vinhos tenham gosto de vinagre. Embarquemos na minha barca de prazer e partamos em busca dele, você e eu.
– A Árvore faz o melhor vinho do mundo – Dany afirmou. Lembrava-se que Lorde Redwyne tinha lutado pelo pai contra o Usurpador, um dos poucos a permanecer fiéis até o último momento.
– Não possuo navios de guerra. A guerra é ruim para o comércio. Já lhe disse isso muitas vezes, Xaro Xhoan Daxos é um homem de paz.
– Não lhe pedi que pegue numa espada, apenas que me empreste seus navios.
Ele sorriu com modéstia.
– Navios mercantes tenho alguns, é verdade. Quem saberá dizer quantos? Um pode estar se afundando, neste exato momento, em algum canto tempestuoso do Mar do Verão. Amanhã, outro cairá nas garras de corsários. No dia seguinte, um de meus capitães poderá olhar as riquezas que transporta e pensar:
– Dê-me navios, e vou torná-lo rico novamente.
– Case-se comigo, brilhante luz, e zarpe no navio do meu coração. Não consigo dormir à noite pensando em sua beleza.
Dany sorriu. As floridas afirmações de paixão de Xaro divertiam-na, mas seus modos não coincidiam com suas palavras. Enquanto Sor Jorah quase não conseguira afastar os olhos de seu seio nu quando a ajudara a subir ao palanquim, Xaro mal se dignou em reparar nele, mesmo naquele confinamento apertado. E ela tinha visto os lindos rapazes que rodeavam o príncipe mercador, esvoaçando pelos salões de seu palácio enfiados em tufos de seda.
– Fala docemente, Xaro, mas sob as suas palavras ouço mais um