– Não vê a piada, Lorde Varys? – Tyrion indicou com um gesto de mão as janelas trancadas, toda a cidade adormecida. – Ponta Tempestade caiu e Stannis vem a caminho com fogo e aço, e só os deuses sabem que escuros poderes, e o bom povo não tem Jaime para protegê-lo, nem Robert, nem Renly, nem Rhaegar, nem seu precioso Cavaleiro das Flores. Só têm a mim, aquele que odeiam – voltou a rir. – O anão, o maligno conselheiro, o pequeno demônio simiesco e deformado. Sou tudo o que têm entre eles e o caos.
Catelyn
–Diga ao pai que parti para deixá-lo orgulhoso.
O irmão saltou para a sela, senhor da cabeça aos pés, em sua brilhante cota de malha e manto solto em cores de lama e água. Uma truta prateada ornamentava seu elmo, gêmea da que levava pintada no escudo.
– Ele sempre se orgulhou de você, Edmure. E ama-o ferozmente. Acredite nisso.
– Pretendo dar-lhe mais motivos para isso do que meu mero nascimento – fez o cavalo de guerra dar meia-volta e ergueu uma mão. Soaram trombetas, um tambor começou a ressoar, a ponte levadiça desceu aos trancos, e Sor Edmure Tully levou seus homens para fora de Correrrio com lanças erguidas e estandartes ao vento.
Ao seu lado, a infelicidade de Brienne era quase palpável. Catelyn mandara costurar trajes para as suas medidas, belos vestidos adequados ao seu nascimento e sexo, mas ela ainda preferia vestir peças avulsas de cota de malha e couro fervido, com um cinto de espada cingido à cintura. Teria se sentido mais feliz partindo para a guerra com Edmure, sem dúvida, mas mesmo muralhas tão fortes como as de Correrrio necessitavam de espadas para defendê-las. O irmão tinha levado todos os homens capazes para os vaus, deixando Sor Desmond Grell no comando de uma guarnição composta por feridos, velhos e doentes, juntamente com alguns escudeiros e outros tantos filhos de camponeses não treinados, ainda longe da idade viril. E isso para defender um castelo atulhado de mulheres e crianças.
Quando o último dos homens de Edmure passou arrastando os pés sob a ponte levadiça, Brienne perguntou:
– Que faremos agora, senhora?
– O nosso dever – o rosto de Catelyn estava tenso quando começou a atravessar o pátio.
Os pés levaram-na para o septo, um templo de arenito com sete lados, construído no interior dos jardins de sua mãe, cheio de arcos-íris coloridos. Estava lotado quando entrou; Catelyn não estava só em sua necessidade de rezar. Ajoelhou perante a imagem de mármore pintado do Guerreiro e acendeu uma vela perfumada por Edmure e outra por Robb, que estava bem para lá dos montes.