enorme pompa. "Alan Greenspan, presidente do banco central americano, a Federal Reserve, entre 1987 a 2006. O senhor Greenspan tornou-se notado em 1985, quando os reguladores federais começaram a investigar irregularidades cometidas por um homem chamado Charles Keating na gestão de dinheiros de clientes. Contratado por Keating, Greenspan escreveu aos reguladores a elogiar Keating e a garantir que ele sabia investir o dinheiro dos clientes. Keating foi preso pouco depois. O que aconteceu a Greenspan? Foi promovido pelo presidente Reagan a chefe máximo da Fed."

Um burburinho percorreu o Salone dei Cinquecento. O

procurador Cano del Ponte apontou para o rosto que permanecia na tela.

"Enquanto presidente da Federal Reserve, Alan Greenspan desenvolveu uma política agressiva de desregulação dos mercados. Um dos seus maiores crimes contra a economia mundial foi cometido quando em 1998 o Citicorp e o Travelers se fundiram para criar a maior empresa de serviços financeiros do planeta, o Citigroup. Essa fusão violava directamente a Lei Glass-Steagall, criada em plena Grande Depressão para impedir a formação de grupos financeiros tão grandes que a sua eventual queda pusesse em risco a economia americana. O senhor Greenspan tinha o dever de fazer aplicar a lei e impedir essa fusão. O que fez ele? Assobiou para o ar, deixou que a ilegalidade fosse cometida e, mais grave ainda, foi um dos cúmplices da revogação da Lei Glass-Steagall no ano seguinte."

Novo burburinho no salão.

"O seu outro grande crime contra a humanidade foram os esforços que desenvolveu para impedir a regulação do mercado dos derivados", prosseguiu Del Ponte. "A comissão que regula os mercados de futuros lançou em 1998 uma iniciativa para regular os derivados, uma acção que alarmou tanto o senhor Greenspan que no mesmo dia emitiu uma declaração a condenar a ideia e a recomendar uma lei 397

que mantivesse os derivados sem regulação. Essa lei foi aprovada em 2000." Manteve o dedo voltado para o rosto sorridente do antigo presidente da Fed. "Pior ainda, Alan Greenspan baixou as taxas de juro para valores mínimos, criando assim as condições para a emergência da bolha do imobiliário na América e depois na Europa. Quando se tornou claro que o mercado de hipotecas estava a funcionar mal, o senhor Greenspan recusou-se a regulá-lo, apesar de ter plenos poderes para tal e ser até seu dever fazê-lo. Todos estes actos estão na origem da desordem que conduziu ao colapso de 2008 e à Segunda Grande Depressão."

O procurador voltou-se para os seus colaboradores e eles carregaram num botão. Um novo rosto apareceu na tela, o de um outro homem de idade, de cabelos brancos atrás das orelhas e olhos pequenos, quase rasgados.

"Segundo suspeito de crimes contra a humanidade", enunciou. "O

senador Phil Gramm. No Congresso dos Estados Unidos, o senador Gramm foi o maior defensor da desregulação financeira. Foi ele a figura central da redacção da legislação que aboliu a Lei Glass-Steagall e da lei de 2000 que manteve o mercado dos derivados fora da acção dos reguladores. Depois de deixar o Senado, e se calhar em agradecimento pelos seus lucrativos serviços, o banco de investimentos UBS

contratou-o para seu vice-presidente. A verdade é que, precisamente devido a essa legislação de consequências calamitosas, este antigo senador espalhou miséria pelo planeta inteiro, pelo que merece sentar-se no banco dos réus."

Novo sinal para os colaboradores, nova imagem na tela gigante que ocultava uma parede do salão. Desta feita eram dois rostos, um homem novo de testa alta e outro de cabelo branco abundante.

"Terceiro e quarto suspeitos de crimes contra a humanidade", enunciou. "Larry Summers e Robert Rubin. O senhor Rubin é o antigo GEO do Goldman Sachs e o senhor Summers é um antigo professor de 398

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