Economia de Harvard. Ambos foram secretários americanos do Tesouro e deram cabo do dito. Presidiram activamente à desregulação dos mercados financeiros. Quando a comissão dos mercados de futuros tentou em 1998 regular os derivados, Larry Summers pegou no telefone e, na presença de treze banqueiros ansiosos por manterem os seus lucros em apostas arriscadas, invectivou a responsável da comissão e obrigou-a a parar com a sua iniciativa de regulação. Juntamente com Greenspan, Rubin e Summers escreveram a famosa declaração que conduziu à lei da desregulação dos derivados. Summers quase insultou um economista que em 2005 alertou para a perversidade do sistema de bónus em vigor na banca. Se calhar graças a estes serviços, Summers foi mais tarde escolhido para presidente de Harvard e contratado por um hedge fund, tendo arrecadado mais de vinte milhões de dólares."

Mais um gesto para a mesa e a imagem na tela mudou de novo.

A imagem que apareceu era de um homem totalmente calvo.

"Quinto suspeito de crimes contra a humanidade", identificou.

"Hank Paulson, antigo CE0 do Goldman Sachs que também se tornou secretário americano do Tesouro. Foi no seu tempo enquanto chefe do Goldman Sachs que este banco de investimento fez mais de três biliões de dólares, três triliões em numeração americana, em lucros com securitizações de hipotecas de pessoas pobres, chamadas subprime e directamente causadoras da crise. O senhor Paulson fez pressão junto dos reguladores para deixarem os bancos endividar-se ainda mais de modo a alimentarem a bolha especulativa. Como prémio, o presidente Bush nomeou-o secretário do Tesouro e foi quando ocupava essas funções que ocorreu o colapso de 2008. Foi ao Congresso pedir setecentos mil milhões de dólares para salvar os bancos de investimento que tinham provocado a crise, assim transferindo para os contribuintes o problema que ele próprio e os seus cúmplices tinham criado. Salvou também a seguradora AIG com 399

dinheiros públicos, mas obrigou-a a pagar mais de sessenta mil milhões de dólares ao Goldman Sachs e impediu-a de processar os bancos de investimento, incluindo o Goldman Sachs, por fraude." Fez um esgar de desdém. "Um verdadeiro artista, este Hank Paulson."

Voltou-se para a mesa e esboçou um novo sinal, que conduziu a mais uma mudança de imagem. Desta feita a tela encheu-se de uma série de símbolos de instituições bancárias.

"As responsabilidades políticas de desregulação dos mercados recaem essencialmente nas pessoas que acabámos de ver", disse. "Mas essas pessoas, e apesar de ocuparem cargos políticos, actuaram a mando de alguém." Indicou os símbolos projectados na tela. "Os bancos, claro. Se os políticos são os corrompidos, os grandes bancos de investimento são os corruptores. Envolvidos em todo o processo de securitização de hipotecas estiveram o Goldman Sachs, o Morgan Stanley, o Bear Sterns, o Lehman Brothers e o Merrill Lynch, além dos grupos financeiros Citigroup e JP Morgan. Ganharam biliões de dólares com este processo e distribuíram pelo planeta inteiro os activos que sabiam ser tóxicos. O Goldman Sachs, por exemplo, e ao mesmo tempo que aconselhava os seus clientes a comprarem esses activos, fazia apostas de que eles iriam falhar. Isso mostra que sabiam o que tinham nas mãos. Tiveram até o descaramento de criar activos que, quanto mais dinheiro fizessem perder aos clientes, mais lucro dariam ao Goldman Sachs."

Fez um sinal para a mesa e a imagem de dois e-mails encheu a tela. Um dizia: "Boy, that Timberwolf tuas one shitty deal." O outro, datado do mês seguinte, dizia: "The top priority is Timberwolf."

"Este primeiro é um e-mail interno do Goldman Sachs a classificar um pacote vendido pelo banco, o Timberwolf, como 'uma grande merda'. O segundo é um e-mail dirigido ao Departamento de Vendas do Goldman Sachs a estabelecer o Timberwolf como a principal prioridade de vendas. Isto é, o Goldman Sachs ordenava aos seus 400

vendedores que convencessem os clientes a comprar um pacote que o próprio Goldman Sachs sabia ser 'uma grande merda'!"

O burburinho voltou a encher o Salone dei Cinquecento.

"Este tipo de episódio era comum na actividade dos bancos de investimento. Graças ao fim da Lei Glass-Steagall, estas instituições bancárias tornaram-se gigantes. Poderemos questionar-nos: como conseguiram

elas

convencer

os

políticos?

Eu

respondo-vos:

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