No total, havia cerca de oitocentos guerreiros, bem equipados, samurais fanáticos, ansiosos em voltar para a luta, ainda amargurados pela derrota, pela expulsão de Quioto, uma semana antes. Ogama desfechara um inesperado ataque noturno, cercando seu acampamento e incendiando os prédios, repudiando os acordos solenes que haviam celebrado.
Com grandes baixas, os
— Estamos acuados!
Um dos seus comandantes dissera:
— Lorde, proponho um contra-ataque imediato, na direção de Quioto. Ao que Katsumata respondera, enfático:
— Seria perigoso demais, pois são muitas as tropas contra nós, e poderão nos esmagar. Sire, alienaria assim todos os
— Sob que alegação?
— Como parte da trégua, aceita que suas forças serão guardiães dos portões... as forças dele, não as de Tosa, e isso vai semear ainda mais divergência entre eles.
— Não posso aceitar isso — protestara Sanjiro, tremendo de raiva por ter sido enganado por Ogama. — E mesmo que eu concordasse, ele rejeitaria a proposta. Por que deveria aceitar? Nós é que estamos em desvantagem. Pode urinar em cima de todos nós. Se eu estivesse em seu lugar, trataria de nos atacar aqui, antes do meio-dia.
— É o que ele fará, lorde... a menos que o impeçamos. Podemos conseguir isso por uma artimanha, já que ele não é um guerreiro tão capaz quanto meu lorde... e suas tropas não têm o mesmo denodo, não são tão bem treinadas. Ele só conseguiu nos derrotar porque atacou à noite, numa sórdida traição. Lembre-se de que a aliança de Ogama com Tosa é precária. Ele precisa consolidar a posse dos portões e suas tropas são insuficientes para enfrentar todos os problemas durante as próximas semanas. Tem de se organizar e providenciar reforços, sem provocar qualquer oposição. E muito em breve o
Pelo édito de Toranaga, todos os
— Ogama não é um tolo, nunca me deixará escapar — dissera Sanjiro. — Eu espetaria sua cabeça na ponta de um chuço, se conseguisse acuá-lo.
— Ele não é um tolo, mas pode ser manipulado. — Katsumata baixara a voz para acrescentar: — Além da promessa sobre os portões, também poderia concordar que, se ou quando houver uma convenção de
— Nunca! — explodira Sanjiro. — Ele não pode deixar de saber que eu jamais concordaria com isso. Por que acreditaria em tamanho absurdo?
— Porque ele é Ogama. Porque fortificou seu estreito de Shimonoseki com dezenas de canhões de sua fábrica de armas não tão secreta, construída pelos holandeses, e por isso acredita, com toda razão, que pode impedir a passagem dos navios dos
— A Terra terá um banho de sangue antes que isso aconteça.
— O último motivo pelo qual ele poderia aceitar uma trégua, Sire, é o fato de que nunca antes controlou os portões... não passa de um arrivista, um usurpador, e sua linhagem é vulgar — acrescentara Katsumata, com imenso desdém —, não tão antiga e elevada quanto a sua. Uma razão adicional: ele aceitará a trégua porque será oferecida como permanente.
Em meio aos protestos atônitos e furiosos, Sanjiro fitara seu conselheiro com o maior espanto, surpreso pela extensão das concessões que Katsumata propunha. Sem compreender, mas conhecendo Katsumata muito bem, ele tratara de dispensar os outros.
— O que há por trás de tudo isso? — indagara, impaciente, assim que ficaram a sós. — Ogama não pode deixar de saber que qualquer trégua só valerá até eu me encontrar seguro por trás de minhas montanhas, onde mobilizarei todos os homens de