Impaciente, Babcott interveio:
O que diz o documento, Ronald?
Hoag relatou o que o chinês lhe dissera.
— Um bandido? O que aconteceu?
Sedento, Hoag serviu-se de mais uísque e começou a descrever em detalhes a mulher, o rapaz e o ferimento, como cortara o tecido morto.
— ...parece que o pobre coitado foi baleado há duas ou três semanas...
— Deus Todo-Poderoso!
Babcott levantou-se de um pulo, ao constatar que tudo se ajustava, surpreendendo Hoag, que derramou o uísque.
— Ficou maluco? — resmungou Hoag.
— Pode encontrar o caminho de volta à casa?
— Ahn... acho que sim, mas...
— Vamos até lá, depressa! Babcott saiu da sala, gritando:
— Sargento da guarda!
Desceram por uma viela, Hoag na frente, ainda de yukata, mas agora calçando as botas, Babcott logo atrás, o sargento e dez soldados em seguida, todos armados. Os poucos pedestres, alguns carregando lanternas, tratavam de sair da frente. Havia uma lua cheia lá em cima.
Ainda mais depressa agora. Uma curva errada. Hoag praguejou, voltou, orientou-se, encontrou a entrada meio oculta da viela correta. E seguiram em frente. Outra viela. Ele parou, apontou. O portão, vinte metros adiante.
No mesmo instante, o sargento e os soldados passaram por ele. Dois ficaram de costas contra o muro, montando guarda, quatro arremeteram de ombro contra o portão, arrancando-o das dobradiças, e passaram pela abertura, Hoag e Babcott em seu encalço... ambos empunhando rifles emprestados com a maior facilidade, peritos em seu uso, uma habilidade comum e uma necessidade para todos os civis europeus na Ásia.
Atravessaram o jardim. Subiram os degraus. O sargento abriu aporta de shoji. O aposento estava vazio. Sem a menor hesitação, o sargento passou para o cômodo seguinte, e o outro. Nenhum sinal de qualquer pessoa nos cinco cômodos interligados, na cozinha ou na privada externa de madeira. Todos saíram para o jardim.
— Espalhem-se! — ordenou o sargento. — Jones e Berk, sigam por aquele lado, vocês dois por ali, vocês dois pelo outro lado, e vocês dois ficam de guarda aqui; e pelo amor de Deus, mantenham os olhos bem abertos!
Os soldados aprofundaram-se pelo jardim, em duplas, um protegendo o outro. a lição do primeiro assassino devidamente aprendida. Procuraram por todos os cantos. Nada. O sargento suava quando voltou.
— Não vimos nada, senhor. Nem mesmo um sussurro, absolutamente nada. Tem certeza de que foi aqui mesmo, senhor?
Hoag indicou uma mancha escura na varanda.
— Foi ali que operei.
Babcott praguejou, olhou ao redor. Aquela casa era cercada por outras, e apenas os telhados apareciam por cima dos muros e nenhuma janela dava para aquele lado. Não havia nenhum lugar para se esconder.
— Eles devem ter partido no momento em que você foi embora.
Hoag removeu o suor da testa, secretamente contente pelo fato de a moça ter escapado. Depois de sair para o banho, não tornara a vê-la, um fato que lamentara. A criada lhe entregara o dinheiro e o pergaminho, ambos embrulhados de maneira meticulosa, além do barril de s
Sobre o irmão, Hoag se sentia agora ambivalente. O rapaz era apenas um paciente, ele era médico, e queria ter êxito em seu trabalho.
— Nunca me ocorreu que o rapaz pudesse ser um dos assassinos. É verdade que não faria qualquer diferença, não para a operação. E pelo menos agora sabemos seu nome.
— Mil oban contra um botão quebrado como era falso. Nem sequer sabemos se o rapaz era mesmo irmão dela. Se ele era um
— A saída daqui não ajudou em nada.
Hoag pensou por um momento, um homem atarracado, parecendo um sapo, em contraste com a enorme altura de Babcott, embora nenhum dos dois se desse conta da diferença.
— Tornei a examiná-lo pouco antes de ir embora. A pulsação era fraca, mas firme. Creio que removi a maior parte do tecido gangrenado, mas... — Ele deu de ombros. — Sabe como são essas coisas... “Você entra com seu dinheiro e corre os riscos.” Eu não apostaria muito na sua possibilidade de sobreviver. Mas, por outro lado, quem pode saber, não é mesmo? E agora me conte sobre o ataque. Quero saber todos os detalhes.
Durante a volta, Babcott relatou tudo o que acontecera. E falou sobre Malcolm Struan.
— Ele me preocupa, mas Angelique é a melhor enfermeira que poderia ter.
— Jamie disse a mesma coisa. Concordo que não há nada como uma linda jovem à cabeceira de um doente. Malcolm perdeu muito peso... e ânimo... mas é jovem e sempre foi o mais forte da família, depois da mãe. Deve ficar bom, desde que os pontos resistam. Tenho absoluta confiança em seu trabalho, George, embora seja uma lenta recuperação para o pobre coitado. Ele está mesmo apaixonado pela moça, não é?