Será uma decisão difícil, porque agora, graças a Utani, tenho uma linha direta e secreta com os
Tentador!
Nobusada? Nobusada e “seu” princesa! Muito tentador! Yoshi começou a rir.
— Sinto-me contente por vê-lo tão feliz esta noite, Sire.
A princesa Yazu estava em lágrimas. Por quase duas horas usara todos os recursos sobre os quais já lera ou vira em livros eróticos para excitá-lo; embora conseguisse torná-lo forte, ele lhe falhara antes que pudesse alcançar as nuvens e a chuva. Depois, como sempre, Nobusada desatara a chorar, arengando que a culpa era dela, num paroxismo de tosse nervosa. Também, como sempre, a tempestade passara. Depressa, ele suplicou perdão, aninhou-se para beijar seus seios, e acabou adormecendo, sugando um seio, enroscado em seu colo.
— Não é justo — balbuciou ela, exausta, incapaz de dormir.
Preciso ter um filho, ou ele pode se considerar morto, e eu também, ou no Mínimo tão envergonhada que terei de raspar a cabeça e me tornar uma monja budista..., oh ko...
Nem mesmo suas damas puderam ajudá-la.
— São todas experientes, a maioria casada, deve haver algum meio de converter meu lorde num homem — gritara ela, depois de semanas de tentativas deixando-as todas tão consternadas que perderam o controle. — Descubram! É dever de vocês descobrir!
Ao longo dos meses, sua corte consultara herbanários, acupuntores, doutores até mesmo adivinhos, mas tudo em vão. Naquela manhã, ela mandara chamar sua matrona principal.
— Tem de haver um meio! O que aconselha?
— Só tem dezesseis anos, honrada princesa — dissera a matrona, de joelhos — e seu lorde também tem dezesseis...
— Mas todas concebem com essa idade, até antes, ou quase todas. Qual é o problema com ele... ou comigo?
— Nada com a princesa, já lhe dissemos muitas vezes. Os doutores nos asseguram que não há nada de er...
— O que me diz do doutor
— Oh, alteza, sinto muito — balbuciara a mulher, consternada —, mas é inconcebível que qualquer dos dois consulte um
— Podemos fazer tudo em segredo, sua tola! Paciência? Há meses que venho esperando! Meses de paciência e meu lorde ainda não teve o menor vislumbre de que vai me dar um herdeiro! — Antes de poder se controlar, ela esbofeteara a mulher. — Dez meses de paciência e maus conselhos são demais, sua miserável! Vá embora! VÁ EMBORA PARA SEMPRE!
Durante todo o dia, ela planejara para aquela noite. Pratos especiais que ele apreciava foram preparados, temperados com ginsengue.
Mas tudo falhara.
Agora era a calada da noite e ela chorava em silêncio, deitada, o marido adormecido ao lado, não muito feliz no sono, sacudido por uma tosse vez em quando, braços e pernas tremendo, mas com um rosto que não era desagradável. Pobre e tolo menino, pensou ela, angustiada, é seu karma morrer sem herdeiro, como tantos de sua linhagem? Oh ko, oh ko, oh ko! Por que me permiti ser persuadida a este desastre, longe dos braços de meu amado príncipe.
Quatro anos atrás, quando tinha doze anos, e com a deliciada aprovação da mãe, a última e a predileta consorte de seu pai, o imperador Ninko, que morreu no ano de seu nascimento, e com a aquiescência também deliciada e necessária do Imperador Komei, seu meio-irmão muito mais velho, que assumira o trono imperial, ela se tornara noiva, na maior felicidade, de um companheiro de infância, o príncipe Sugawara.
Fora o ano em que o
— Sinto muito — dissera o conselheiro —, mas é impossível.
— Não só é possível como também muito necessário para ligar o xogunato à dinastia imperial e proporcionar mais paz e tranquilidade à terra — insistia Li. — Há muitos precedentes históricos de Toranagas concordando em casar com imperiais.