Não era seguro falar sobre as escolas de
— Ajudar eu escapar?
— Quem é você? De onde veio? Seu nome não é Ukiya. Hiraga sorriu, acomodou-se numa das cadeiras.
— Ukiya significar jardineiro, Taira-san. Nome família Ikeda. — Ele disse a mentira com a maior facilidade. — Nakama Ikeda, eu quem oficial procurar. Eu vinte dois anos.
— Por quê?
— Porque eu e família, de
— Está se referindo ao xógum?
Hiraga sacudiu a cabeça.
— Xógum ser
— Títere?
Sim, títere, tyrer se surpreendeu.
— O xógum é um títere?
Hiraga acenou com a cabeça, mais confiante agora que se comunicava precisando se esforçar para recordar as palavras.
— Xógum Nobusada, menino, dezesseis anos, títere
A mente de Tyrer, latejando de tanta concentração — era difícil entender a fala do homem —, compreendeu no mesmo instante as profundas implicações.
— Esse menino xógum, que idade ele tem, por favor?
— Xógum Nobusada dezesseis anos.
Ele procurou pela palavra certa, não conseguiu encontrá-la e tratou de explicar de outra maneira:
— Imperador não como
— Hai, Nakama, wakatta.
Mil perguntas esperavam para ser formuladas. Tyrer sabia que aquele homem podia ser um poço de informações a ser esvaziado, mas devia agir com cautela, não naquele lugar. Percebeu a intensa concentração no rosto do homem e especulou o quanto do que dissesse Nakama poderia compreender. Lembrou a si mesmo para falar devagar, da maneira mais simples possível.
— Quantos de vocês lutam contra o
— Muitos.
Hiraga bateu com a mão num mosquito errante.
— Centenas, milhares? Que tipo de pessoas... pessoas comuns, jardineiros, trabalhadores, mercadores?
Hiraga se espantou com a pergunta.
— Eles nada. Só samurai
Tyrer tornou a piscar, aturdido.
— Você é samurai?
Mais espanto de Hiraga.
— Samurai lutar. Eu dizer lutar
Hiraga tirou o chapéu, removeu o pano sujo, manchado de suor, que servia como turbante, para revelar a cabeça raspada, com o penacho. Agora que podia ver seu rosto com clareza, pela primeira vez sem o chapéu de cule, e também a primeira vez em que o observava com mais atenção, Tyrer constatou que ele possuía os mesmos olhos frios do guerreiro de duas espadas, e que tinha uma vasta diferença dos aldeões na estrutura óssea.
— Quando Shenso, capitão samurai ver eu assim, eu morrer.
Tyrer balançou a cabeça, em confusão.
— Ajudar eu escapar. Por favor, dar eu roupa soldado.
Tyrer encontrava a maior dificuldade para impedir que seu excitamento e horror transparecessem no rosto. Parte dele queria desesperadamente fugir daquela situação mas a outra estava ansiosa em obter todas as informações que pudesse daquele samurai, um conhecimento que poderia ser — não, que seria — uma chave fundamental para abrir o mundo do Nipão, assim como seu próprio futuro, se manipulasse tudo da maneira correta. No momento em que já ia anunciar sua concordância, lembrou-se da advertência anterior de Sir William; e, agradecido, demorou um pouco para recuperar o controle.
— Fácil eu escapar, sim? — insistiu Hiraga, impaciente.
— Não fácil, mas possível. E arriscado. Primeiro, tenho de me convencer de que vale a pena salvá-lo.
Tyrer percebeu o súbito ímpeto de raiva... talvez fosse raiva junto com medo, não pôde determinar. Por Deus, um samurai! Gostaria que Sir William estivesse aqui, pois estou acima do meu nível.
— Não pense que eu não posso...
— Por favor — murmurou Hiraga, suplicante, sabendo que aquela era a sua única chance real de escapar da armadilha, mas pensando: Depressa, concorde logo, ou vou matá-lo e tentar escapar pulando o muro. — Nakama jurar por deuses ajudar Taira-san.
— Jura solenemente pelos seus deuses que responderá a todas as minhas perguntas com a verdade?