Agora, posso mandar copiar qualquer coisa. Por favor, envie-me alguns moldes ou recortes de La Parisienne ou L’Haute Couture, mostrando os últimos figurinos, ou qualquer outra coisa maravilhosa... meu Malcolm é muito generoso e muito rico! Ele diz que posso pedir o que eu quiser!

E meu anel! Um diamante enorme, com quatorze menores ao redor. Perguntei como o adquirira, em que lugar de locoama, e ele se limitou a sorrir. Preciso ser mais cuidadosa, e não fazer perguntas tolas. Colette, tudo é maravilhoso, só que estou preocupada com a saúde de Malcolm. A melhoria é muito lenta e ele anda com a maior dificuldade. Mas seu ardor aumenta, o pobre coitado, e tenho de me precaver... Devo me vestir para a festa agora, mas voltarei a escrever mais antes de despachar. Meu amor eterno por enquanto.

Colette é afortunada, pois sua gravidez é uma dádiva de Deus. Pare com isso! Não fique assim ou as lágrimas e o terror voltarão. Ponha o dilema de lado. Decidiu o que fazer, se estivesse, ou se não estivesse. Como executar o outro plano... o que mais pode fazer?

Um pouco de perfume por trás das orelhas, nos seios, um ligeiro ajuste das rodas. Uma batida gentil na porta.

— Malcolm?

— Entre... estou sozinho.

Inesperadamente, ele não se encontrava na cama, mas sentado na poltrona. Um chambre vermelho de seda, uma estranha expressão nos olhos. No mesmo instante, algum instinto a fez erguer a guarda. Trancou a porta, como sempre e adiantou-se.

— Não se sente cansado, meu amor?

— Não e sim. Você me deixa tonto.

Ele estendeu as mãos e Angelique se aproximou ainda mais, o coração acelerando. As mãos de Malcolm tremiam. Ele a atraiu para mais perto, beijou suas mãos, braços, seios. Por um momento, ela não resistiu, apreciando aquela adoração, desejando-o. Inclinou-se, beijou-o, deixou que a acariciasse. Depois, o calor aumentando depressa, arriou de joelhos ao lado da poltrona, o coração batendo forte, rompeu em parte o abraço.

— Não devemos — sussurrou Angelique, ofegante.

— Sei disso... mas quero tanto...

Os lábios de Malcolm eram quentes, insistentes, e os de Angelique reagiram. Agora, a mão dele acariciava sua coxa, ateando mais fogo na virilha, e foi subindo e subindo, algoz irresistível, e ela queria mais, só que se conteve a beira do abismo, e tornou a se desvencilhar, sussurrando:

— Não, chéri.

Mas desta vez ele se mostrou surpreendentemente mais forte, o outro braço a deteve, num torno amoroso, a voz e os lábios cada vez mais persuasivos, mais prementes, até que, sem pensar, ele se virou de forma brusca e a dor invadiu seu corpo.

— Oh, Deus!

— O que foi? — balbuciou Angelique, assustada. — Você está bem?

— Acho que sim... Oh, Deus Todo-Poderoso!

Malcolm levou um momento para se recuperar, a dor intensa esvaziando o ardor, mas a ânsia persistindo, o sofrimento tornando-a ainda maior. Suas mãos ainda a seguravam, ainda tremiam, mas sem força.

— Desculpe...

— Não precisa se desculpar, meu querido.

Depois de recuperar o próprio fôlego, agradecida, Angelique levantou-se, serviu um pouco do chá frio que ele mantinha na mesinha-de-cabeceira. Sentia um calor na virilha, estava nervosa, o coração agitado, não querendo parar, mas sabendo que devia, uns poucos minutos a mais e não teria conseguido, preciso encontrar um meio de alcançar a segurança, para ele, para mim, para nós... e uma voz apregoava a litania em sua mente, “um homem jamais casa com sua amante, nada antes do casamento, tudo é permitido depois”, insistindo, até que pudesse compreender.

— Tome aqui — murmurou ela, estendendo a xícara.

Angelique ajoelhou-se, observou-o fechar os olhos, o suor aflorando no rosto, manchando o chambre. Mais um instante, e a maior parte da angústia dela se dissolveu. Pôs a mão no joelho de Malcolm, que a cobriu com a sua.

— Ficar tão perto é ruim para nós, Malcolm — murmurou ela, gostando muito dele, amando-o, mas não muito certa sobre o amor. — É difícil para nós dois chéri, pois também o desejo, também o amo.

Ele só falou depois de um longo momento, com alguma dificuldade, a voz baixa, angustiada:

— Sei disso, mas... mas você pode ajudar.

— Não podemos, querido, não antes de casarmos... não agora.

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