— Por Deus, Malcolm, se ela nos ordena que voltemos, então é melhor obedecermos. Há motivos para...
— Não! — explodira ele. — Será que não entende? NÃO!
— Abra os olhos para a verdade! — gritara McFay também. — Você ainda é menor, ela dirige a companhia, há muitos anos. Estamos sob suas ordens e...
— Não estou sob as ordens dela, nem de ninguém! E agora saia!
— Não vou sair, não! Será que não pode perceber que é sensato o que ela pede, não tem nada de difícil? Podemos voltar para cá em duas ou três semanas. Você terá de obter a aprovação de sua mãe em algum momento e, certamente, melhor tentar agora. Abriria o caminho para você, tornaria o nosso trabalho muito mais fácil...
— Não! E... e estou cancelando as ordens dela. A partir de agora, terá de obedecer às minhas ordens. Sou o
— Deve saber que não posso ficar contra ela!
Struan quase tropeçou, a caminho da igreja, ao recordar a terrível pontada de dor nos lombos quando, sem pensar, levantara-se de um pulo e gritara para McFay:
— Tenho de lembrá-lo do seu juramento sagrado de servir ao
— Mas você não...
— A quem você vai obedecer, Jamie? A mim ou à minha mãe?
Um vasto abismo abrira-se entre os dois, houvera mais raiva, mais palavras, mas ele acabara prevalecendo. Era uma batalha de cartas marcadas. A cláusula constava de todos os contratos de trabalho, as pessoas tinham de assinar e ainda jurar por Deus, de acordo com as instruções do fundador.
— Está bem, eu concordo! — dissera McFay, entre os dentes semicerrados. — Mas exijo... desculpe, solicito o direito de escrever para ela e comunicar minhas novas ordens.
— Faça isso e envie a mensagem pelo navio de correspondência. Aproveite para informar que o
Depois, ele tornara a arriar na cadeira, quase dobrando de dor.
— Por Deus,
— Ela não pode dispensá-lo sem a minha concordância. Está em nossos estatutos.
— É possível. Mas quer você goste ou não, ela pode converter minha vida e a sua num inferno.
— Não, porque você está apenas fazendo o que eu quero. Encontra-se nos limites da lei de Dirk... e é isso o que a governa, acima de todo o resto.
Ele recordara as inúmeras ocasiões em que a mãe invocara o nome de Dirk Struan para seu pai, para ele, ou para seus irmãos e irmãs, numa questão de negócios, de moral ou da própria vida. E o pai e a mãe disseram mil e uma vezes que eu seria o
— Sou o
No instante em que ficara sozinho, ele gritara por Ah Tok.
Foi uma ocasião em que eu realmente precisava do medicamento, funcionava muito bem, salvou-me de toda aquela dor e angústia, proporcionou-me coragem de novo, e mais tarde um momento feliz com Angelique. Ah, meu anjo de volta à suíte ao lado da minha, graças a Deus, tão próxima, tão atraente, tão sedutora mas eu bem que gostaria que a ânsia não surgisse ao pensar nela, e que isso não levasse à dor mais intensa, com a manhã ainda nem atingindo a metade, um sermão interminável pela frente, um almoço para suportar... e mais de oito horas até o próximo...
— Desculpe por ontem — disse McFay. — Sinto muito.
— Não foi nada. Serviu para expor os problemas e acertá-los — respondeu Struan, com uma estranha força. — Agora a companhia tem um líder autêntico Admito que meu pai não era muito eficaz e passou a maior parte dos seus últimos anos embriagado, com a mãe fazendo o melhor que podia, mas que não foi suficiente para nos manter à frente da Brock... vamos ser francos e reconhecerque eles são mais fortes, mais ricos e mais sólidos do que nós e que teremos muita sorte se resistirmos à atual tempestade. Veja o caso do Japão... as operações aqui mal dão para pagar as despesas.
— Tem razão, a curto prazo, mas não podemos esquecer que serão bastante lucrativas a longo prazo.
— Não da maneira como você as tem dirigido até agora. Os japoneses não nos compram quaisquer mercadorias lucrativas. Nós compramos seda e bichos-da-seda, uns poucos objetos laqueados e o que mais? Nada de valor. Eles não têm indústrias e parecem não querer nenhuma.
— É verdade, mas devemos lembrar que a China demorou anos para se abrir. E ali temos o ópio, o chá e a prata.