— Tem razão, mas a China é diferente. Existe ali uma civilização antiga e refinada. Temos amigos na China e, também, como você costuma dizer, um padrão de comércio. Minha opinião é de que devemos acelerar as coisas aqui para sobreviver ou fecharmos.
— Assim que Sir William resolver o problema com o
— Que se dane isso! — exclamou Struan, a voz estridente.— Estou cansado de ficar empacado numa cadeira e ouvir as pessoas dizerem que devemos esperar até que Sir William ordene que a esquadra e o exército cumpram o seu dever. Quero estar presente na próxima reunião com o
— Mas,
— Cuide disso, Jamie. É o que quero. E providencie depressa.
— Não sei como é possível.
— Pergunte ao samurai domado de Phillip Tyrer, Nakama. Melhor ainda, promova um encontro secreto com ele, para que Phillip não fique comprometido.
McFay transmitira-lhe todas as informações fornecidas por “Nakama”.
— É uma boa idéia — declarou ele, com sinceridade, animado com o queixo erguido e fogo que ardia em Struan. Talvez, depois de muito tempo, pensou e haja alguém aqui que possa fazer com que as coisas aconteçam. — Falarei com Phillip logo depois da igreja.
— Quando parte o próximo navio para San Francisco?
— Dentro de uma semana, o mercante confederado Savannah Lady. — McFay baixou a voz, cauteloso, pois um grupo de mercadores passava por eles. — Nossa encomenda de
— Em quem podemos confiar para viajar no navio, numa missão especial? — perguntou Struan, pondo seu plano em execução.
— Vargas.
— Ele não, pois é necessário aqui.
Struan tornou a parar, as pernas doloridas, claudicou até o lado do passeio, onde havia um muro baixo, em parte para descansar, mas também para manter a conversa em particular.
— Quem mais? Tem de ser bom.
— O sobrinho dele, Pedrito... é um rapaz esperto, parece mais português do que Vargas, não tem nada de chinês em seu rosto, fala português, espanhol, inglês e cantonês... e é bom com os números. Seria aceitável, tanto no norte, quanto na confederação. O que tem em mente?
— Reserve passagem para ele nesse navio. Quero que ele siga com a encomenda, que vamos quadruplicar, e também pedir...
— Quatro mil fuzis? — murmurou McFay, espantado.
— Isso mesmo. Mande também uma carta para a fábrica, pelo navio de correspondência de amanhã, avisando que devem esperá-lo. O navio fará conexão com o vapor da Califórnia que zarpa de Hong Kong.
McFay ressaltou, apreensivo:
— Mas só recebemos uma entrada em ouro para cobrir duzentos... teremos de pagar toda a encomenda, pois essa é a política da fábrica. Não acha que seria um risco excessivo?
— Algumas pessoas podem pensar assim, eu não.
— Mesmo com um carregamento de dois mil... o almirante fica histérico com a importação de armas de fogo e ópio... sei que ele não pode fazer nada por lei — acrescentou McFay —, mas, se quiser, ainda pode confiscar uma carga sob a alegação de emergência nacional.
— Ele não descobrirá nada, até ser tarde demais... você será esperto o suficiente para enganá-lo. Prepare uma carta para acompanhar o pedido, enviando uma cópia pelo navio de correspondência... cuide disso pessoalmente, Jamie, em sigilo... solicitando à fábrica um serviço especial para essa encomenda e também que nos nomeie seus agentes exclusivos para a Ásia.
— É uma excelente idéia,
— Faça um pedido de cinco mil fuzis e enfatize que negociaremos um contrato ainda mais atraente. Não quero que Norbert se antecipe a nós nesse negócio.
Struan recomeçou a andar, a dor pior agora. Sem olhar para McFay, sabia o que o outro estava pensando e disse, irritado:
— Não há necessidade de confirmar com Hong Kong primeiro. Faça o que estou mandando. Assinarei o pedido e a carta.
Depois de uma pausa, McFay acenou com a cabeça.
— Como quiser.
— Ótimo. — Ele percebeu a relutância na voz de McFay e decidiu que aquele era o momento. — Estamos mudando nossa política no Japão. Eles gostam de matar por aqui, não é mesmo? Segundo esse Nakama, muitos de seus reis estão dispostos a se revoltarem contra o
— E se eles voltarem as armas contra nós?
— Uma única vez será suficiente para lhes ensinarmos uma lição, como aconteceu em todas as outras partes do mundo. Venderemos mosquetes, alguns fuzis de carregar pela culatra, mas não metralhadoras, nem os canhões maiores, nem os navios de guerra mais modernos. Daremos ao freguês o que ele quer comprar.