— Não há espiões aqui dentro — garantiu Akeda. — Juro por minha cabeça, Sire. Lá fora, há legiões, por toda parte, espiões de Ogama, os
Yoshi tomou uma decisão.
— Capitão, diga a ele que estou dormindo e não posso ser incomodado. Peça-lhe para voltar pela manhã, quando será recebido com todas as honras.
O capitão fez uma reverência, já começava a se retirar quando Akeda acrescentou:
— Ordene um alerta total para a guarnição inteira!
Assim que voltaram a ficar a sós, Yoshi disse:
— Acha que Ogama ousaria me atacar aqui? Seria uma declaração de guerra.
— Não estou interessado no que ele pode ousar, Sire, mas apenas na sua segurança. É minha responsabilidade agora.
O calor da água se infiltrava agora pelas articulações de Yoshi e ele se recostou, deixando que a sensação agradável o envolvesse, contente por Akeda estar no comando, tranquilizado por sua presença, embora não se influenciasse por suas opiniões. Não previra ser descoberto tão depressa. Ora, não importa, pensou ele, meu plano ainda é bom.
— Quem é o adepto subserviente de Ogama, seu intermediário na corte?
— O príncipe Fujitaka, primo em primeiro grau do imperador... o irmão de sua esposa é o camareiro imperial.
Yoshi soltou um assovio, e o general acenou com a cabeça, sombrio.
— Muito difícil romper um vínculo assim, a não ser com uma espada.
— Impensável! — sentenciou Yoshi, que pensou: a menos que seja possível. De qualquer forma, era uma estupidez dizer algo assim em voz alta, mesmo em particular. — Quais são as notícias sobre o xógum Nobusada e a princesa Yazu?
— São esperados dentro de uma semana e... Yoshi levantou os olhos abruptamente.
— Eles não deveriam chegar por mais duas ou três semanas.
A voz do velho soou ainda mais rouca:
— A princesa Yazu ordenou que a comitiva voltasse à
— Mesmo aqui, velho amigo, deve tomar cuidado com o que diz.
— Estou muito velho para me preocupar com isso agora... agora que seu pescoço se encontra entre as garras de Ogama.
Yoshi chamou as criadas para que trouxessem toalhas e enxugassem os dois, ajudando-os a vestir yukatas limpos. Pegou suas espadas e disse, por fim:
— Desperte-me ao amanhecer, Akeda. Tenho muito o que fazer.
Pouco antes do amanhecer, nos subúrbios ao sul, onde o rio fazia uma curva para o sul, na direção de Osaca e do mar, a vinte e tantas ri de distância, onde os caminhos, ruas e vielas eram irregulares e tortuosos, tão diferentes da rigidez das linhas retas da parte central da cidade, onde era intenso o cheiro de fezes, lama e vegetação em decomposição, Katsumata, o líder dos
Nenhum som de perigo. Lá de baixo vinham os sons abafados das criadas e servos, acendendo os primeiros fogos do dia, cortando legumes, preparando os alimentos. Seu quarto era no segundo andar, sob as vigas, na Estalagem dos Pinheiros Sussurrantes. Um cachorro latiu à distância.
Há alguma coisa errada, pensou ele.
E foi abrir a porta, sem fazer barulho. Havia mais quartos ao longo do corredor, três ocupados por outros
Num lado, havia uma pequena janela, dando para o pátio. Nada se mexia lá embaixo. Mais uma vez, seus olhos esquadrinharam a área, o portão, a rua além. Nada. De novo. Nada. E, de repente, um brilho, mais sentido do que visto. No mesmo instante, Katsumata abriu as portas e sussurrou a palavra código. Os seis homens levantaram-se de um pulo, o sono se dissipando por completo, e correram atrás dele, empunhando suas espadas. Desceram pela escada precária, atravessaram a área da cozinha, saíram pela porta dos fundos. Pularam a cerca para o jardim ao lado, numa retirada ensaiada com extremo cuidado, passaram para o jardim seguinte, e mais outro, até alcançarem a viela. Seguiram por ali, mas logo se desviaram por uma passagem entre duas choupanas. Na extremidade daquele beco sem saída, ele virou à esquerda e abriu uma porta. A lança do guarda alerta ameaçou sua garganta.
— Katsumata-san! O que aconteceu?
— Alguém nos traiu — sussurrou Katsumata, ofegante, e gesticulou para um jovem de