Um dos shishi alcançou o alto da cerca, mas antes que pudesse transpô-la, uma faca empalou-o, e ele caiu para trás, entre as moitas. O outro homem abandonou sua corda, saltou para o lado do amigo e apenas teve tempo de vê-lo enfiar a própria faca na garganta, para evitar a captura vivo, antes de tombar sob uma chuva de golpes. Virou-se e lutou com extraordinária força, mas foi logo desarmado e imobilizado no chão por quatro samurais.

— Quem são vocês? — indagou um samurai, esbaforido. — Quem são vocês e o que pretendiam fazer?

Sonno-joi... obedeçam a seu imperador — balbuciou o homem, e tentou de novo se desvencilhar das mãos que o seguravam, mas não conseguiu.

Outros se agrupavam ao seu redor e ele sentiu-se confiante de ter cumprido seu papel no ataque, satisfeito por ser capaz de continuar a manobra diversionária por mais algum tempo, sem medo da captura, pois tinha um frasco com veneno na gola do quimono, ao alcance dos dentes.

— Sou Hiroshi Ishii, de Tosa, e exijo falar com o xógum!

Do lugar em que se escondiam, Saigo e seus outros cinco homens podiam ouvir o companheiro, mas a atenção deles se concentrava na sebe em frente e na entrada no outro lado. Os poucos guardas remanescentes haviam se afastado para o cerco ao homem condenado, e agora, finalmente, o alvo se encontrava aberto.

— Atacar!

Os seis homens se levantaram de um pulo e avançaram, Saigo e Tora na vanguarda. Haviam percorrido talvez a metade da distância quando soou um grito de advertência e os samurais cercando os corpos da primeira dupla correram de volta para interceptá-los. No mesmo instante, Ishii redobrou os esforços para escapar, gritando e se debatendo, para distrair aqueles que o seguravam, mas um punho cerrado acertou-o, lançando-o na inconsciência.

— Vocês dois fiquem aqui! — balbuciou o samurai, lambendo os dedos esfolados. — Não matem o filho de um cão. Vamos precisar dele vivo.

Ele se levantou, com alguma dificuldade, claudicou atrás dos outros, com um profundo corte de espada na coxa.

Alguns defensores estavam quase alcançando os seis shishi, que ainda corriam direto para a sebe.

— Agora! — ordenou Saigo.

No mesmo instante, a dupla à sua direita se virou, assumindo posições defensivas, com shurikens nas mãos. Cautelosos, os samurais reduziram o ritmo da corrida, desviando-se para a esquerda e direita, efetuaram fintas e depois atacaram, os shurikens encontrando alvos, mas sem ferir com maior gravidade, e logo outro combate começou, seis samurais contra os dois.

Reforços corriam do portão principal, outros do primeiro ponto de diversão, e todos, defensores e atacantes, convergindo para a estrela-guia — o portão para o refúgio do xógum. Quando os homens do portão principal da estalagem perceberam, horrorizados, que as sebes e a entrada haviam ficado completamente desguarnecidas — embora as portas estivessem fechadas —, com Saigo e os outros três correndo depressa, não muito longe da sebe, desviaram o curso, para se posicionarem entre os shishi e a entrada, deixando aos outros o encargo de atacá-los. Frenéticos, correram para proteger o portão. Por trás de Saigo e Tora, os dois guerreiros atacavam, recuavam, ainda cobrindo sua retaguarda. Ambos haviam sofrido ferimentos, mas dois samurais se contorciam de dor no chão. Quatro contra dois, com outros não muito longe.

— Agora! — ordenou Saigo.

A dupla à sua esquerda desviou-se para a entrada. Era certo que a alcançariam antes dos defensores, e isso fez com que outros avançando para Saigo também mudassem de direção, seguindo para a entrada. No mesmo instante, Saigo e Tora se viraram e foram se juntar ao combate logo atrás. A carga impetuosa derrubou dois dos quatro samurais restantes e ajudou a eliminar o resto do contingente inimigo... apenas Saigo e Tora, embora ofegantes, continuavam ilesos. No mesmo instante, Saigo ordenou:

— Agora!

Os dois homens entoaram “Sonno-joi!” e correram para apoiar o ataque à entrada, atraindo mais samurais, e deixando Saigo e Tora para retomar a carga na direção da sebe.

A primeira dupla de shishi atacando o portão alcançou a trilha estreita, correu para as portas. Um deles começou a abri-las. Nesse instante uma flecha se cravou na madeira e, logo em seguida, os dois atacantes foram atingidos, crivados de flechas disparadas por arqueiros entre os reforços. Gritaram, tentaram continuar, impotentes, e morreram de pé. A segunda dupla chegou ao caminho. Um correu para o samurai mais próximo entre os que se aproximavam, o outro para o portão, tropeçou nos cadáveres dos companheiros e morreu com quatro flechadas. Apenas uns poucos minutos haviam transcorrido desde o início.

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