— Todos morreram sem causar maiores danos, exceto a alguns guardas, os sobreviventes não continuarão neste mundo por muito mais tempo. É verdade o que dizem, que você ofereceu anistia a todos os ronin de Choshu? — Havia algum nervosismo em sua voz, e Yoshi especulou de novo se Ogama tivera alguma participação secreta no planejamento, que fora impecável, e que deveria ter tido êxito, a se dizer a verdade. — Quer fossem shishi ou não?

— É verdade — respondeu Ogama, apenas a boca sorrindo. — Todos os daimios deveriam fazer a mesma coisa, uma maneira simples e rápida de controlar os ronin, quer sejam ou não shishi. Eles constituem uma pestilência que deve ser contida.

— Concordo. Só que a anistia não vai detê-los. Posso perguntar quantos dos seus ronin aceitaram a oferta?

Ogama soltou uma risada.

— Com toda certeza, não os que participaram do ataque! Um ou outro até agora, Yoshi-dono. Quantos são, no total? Uma centena? Não devem chegar a duzentos, dos quais vinte ou trinta podem ser de Choshu. Mas não importa se são Choshus ou não. — O rosto endureceu. — Não planejei o ataque, se é isso o que está pensando, nem sabia a respeito.

O sorriso sombrio ressurgiu.

— É inadmissível acalentar um pensamento tão traiçoeiro, não é mesmo? Seria fácil acabar com os shishi, se você e eu quiséssemos... mas o lema deles não é tão fácil de se suprimir, se é que deve ser suprimido. O poder deve voltar ao imperador, os gai-jin devem ser expulsos. Sonno-joi é um bom lema, não concorda?

— Eu poderia dizer muitas coisas, Ogama-dono, mas aliados não devem se provocar. Somos aliados? Você concorda?

Ogama acenou com a cabeça.

— Em princípio, sim.

— Ótimo. — Yoshi disfarçou o espanto por Ogama ter concordado com suas condições. — No prazo de um ano, você será o chefe dos anciãos. A partir de meio-dia, minha guarnição assume os portões.

Ele virou-se para ir embora.

— Tudo como disse. Exceto os portões.

A veia na testa de Yoshi saltou.

— Mas expliquei que preciso dos portões.

— Sinto muito. — A mão de Ogama não segurara o punho da espada, embora os pés assumissem uma posição melhor para o combate. — Aliados secretos, sim, guerra com Tosa, sim, com Satsuma, sim, os portões, não. Sinto muito.

Por um momento, Yoshi Toranaga não disse nada. Fitou Ogama, que sustentou seu olhar, sem medo, esperando, pronto para lutar, se fosse necessário. Depois, Yoshi suspirou, removeu as gotas de chuva da beira do chapéu de aba larga.

— Quero que sejamos aliados. E aliados devem se ajudar mutuamente. Talvez eu chegue a um acordo, mas primeiro lhe darei algumas informações especiais: Katsumata está aqui, em Quioto.

O sangue afluiu ao rosto de Ogama.

— Não é possível. Meus espiões teriam me avisado.

— Ele está aqui e há algumas semanas.

— Não há homens de Sanjiro em Quioto, muito menos esse. Meus espiões teriam...

— Sinto muito — insistiu Yoshi, a voz insinuante —, mas ele se encontra aqui em segredo, não como batedor e espião de Sanjiro, pelo menos não abertamente, Katsumata é shishi, um sensei de shishi, e o líder dos shishi aqui, com o codinome de Corvo.

Ogama estava aturdido.

— Katsumata é o líder shishi?

— Isso mesmo. E um pouco mais. Pense por um momento: ele não é o conselheiro e tático mais antigo e de maior confiança de Sanjiro? Não o enganou, por conta de Sanjiro, com seu falso pacto e a manobra para frustrá-lo em Fushimi, permitindo que Sanjiro escapasse? Isso não significa que Sanjiro de Satsuma é secretamente o verdadeiro líder dos shishi, e que todos os assassinatos fazem parte de seu plano geral de derrubar a todos nós, a você em particular, para se tornar o xógum?

— Esse sempre foi o objetivo de Sanjiro, não resta a menor dúvida — murmurou Ogama, confuso, percebendo que muitas ocorrências até então inexplicadas agora se ajustavam nos lugares devidos. — Se ele controla também todos os shishi...

Ogama fez uma pausa, subitamente furioso por Takeda nunca lhe ter contado. Afinal, Takeda não é meu espião, um verdadeiro vassalo secreto?

— Onde está Katsumata neste momento?

— Uma de suas patrulhas quase o emboscou na Estalagem dos Pinheiros Sussurrantes, há poucos dias.

A cor voltou ao rosto de Ogama.

— Ele se encontrava ali? Fomos informados que alguns shishi dormiam ali, mas eu nunca soube...

Mais uma vez, ele quase sufocou de raiva por Takeda não ter avisado que seu odiado inimigo estava ao seu alcance. Por quê? Ora, não importa, seria fácil cuidar de Takeda. Primeiro, porém, Katsumata. Não esqueci que Katsumata frustrou meu ataque de surpresa a Sanjiro. Se não fosse por Katsumata, Sanjiro teria morrido, eu me tornaria o lorde de Satsuma e não haveria a menor necessidade de conversar com Yoshi Toranaga... ele se poria de joelhos diante de mim.

— Onde ele está neste momento? Sabe o local?

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