— É mesmo — murmurou Hiraga, através dos dentes semicerrados.
O saquê chegou num instante, a criada serviu depressa e se retirou logo. Hiraga bebeu, e sentiu-se satisfeito por isso, embora simulasse o contrário, aceitou mais, tomou tudo.
— O que há com Taira? E melhor explicar direito.
O
— Desde que chegou aqui, Otami-sama, tem especulado como e por que os
Ele fez uma pausa, divertido com a súbita impassibilidade no rosto de Hiraga.
— Ah, sinto muito, mas já devia saber que ouviram as conversas com seu amigo, agora morto, e com seu primo. Mas posso lhe assegurar que suas confidências estão seguras, seus objetivos e os dos
— É mesmo?
— É, sim. Estamos convencidos de que o grande segredo deles é emprestar dinheiro, os serviços de financia...
Sua voz foi abafada quando Hiraga teve um paroxismo de riso desdenhoso. A gata foi arrancada de sua tranqüilidade, suas garras passaram pelo quimono do
— Você está louco. É tudo conseqüência de suas máquinas, canhões, riquezas e navios.
— Exatamente. Se tivéssemos essas coisas, Hiraga-sama, poderíamos... — No instante em que usou o nome verdadeiro, o que fora deliberado, ele viu todo o riso desaparecer e os olhos entrarem em foco, ameaçadores. — Meus superiores disseram para usar seu nome apenas uma vez, só para que soubesse que merecemos confiança.
— Como eles sabem?
— Mencionou a conta de Shinsaku Otami, o nome em código de seu honrado pai, Toyo Hiraga. Como não podia deixar de ser, isso está escrito nos livros de registros mais confidenciais.
Hiraga foi dominado por uma raiva intensa. Nunca lhe ocorrera que os emprestadores de dinheiro pudessem ter livros confidenciais; como todos, dos mais baixos aos mais altos, precisavam de seus serviços de vez em quando, eles teriam acesso aos conhecimentos mais sigilosos, sempre registrados, sempre perigosos, que podiam usar como instrumento de pressão para obterem novas informações, a que não deveriam ter acesso... como poderiam descobrir alguma coisa sobre os nossos
— Cale-se!
O
— Meus superiores mandaram lhe dizer que seus segredos e os de seu pai, honrados clientes, embora registrados, são confidenciais, absolutamente confidenciais... entre nós.
Hiraga suspirou, inclinou-se para trás, a ameaça purificando sua cabeça da raiva inútil, e analisou tudo o que o
As opções eram simples: matar ou não matar, escutar ou não escutar. Quando ele era pequeno, a mãe lhe dissera:
— Tome cuidado, meu filho, e jamais se esqueça de uma coisa: matar é fácil, desmatar é impossível.
Por um momento, a mente se fixou na mãe, sempre sábia, sempre o acolhendo com a maior alegria, sempre com os braços estendidos... mesmo quando passara a sentir dores nas articulações, que a deixaram mais e mais entrevada a cada ano.
— Muito bem,
Foi a vez do
— A