Ele sorriu para si mesmo, satisfeito com o disfarce, puxou o relógio, admirando-o, verificou a hora: 11:16 h. Como se dezesseis minutos importassem, pensou Hiraga, desdenhoso, embora contente por ter aprendido tão depressa o sistema de determinar a hora dos
— Não quer comprar um bom pernil de carneiro australiano congelado, que veio do porão de gelo do navio de correspondência? Ou que tal um bom toucinho de Hong Kong?
O açougueiro era barrigudo, careca, com braços que pareciam canhões e avental todo manchado de sangue.
— Como? — Hiraga notou as carnes e vísceras penduradas no outro lado da janela, com seus enxames de moscas. — Não, obrigado. Eu apenas olhando. Bom dia, senhor.
Ele esforçou-se para ocultar sua repulsa. Com um floreio, repôs a cartola na cabeça, do jeito como Tyrer ensinara, e continuou a descer pela High Street, na direção da cidade dos bêbados e da aldeia. A todo instante, levantava a cartola polidamente para outros pedestres e cavaleiros, que respondiam da mesma forma. Isso o agradou ainda mais, porque significava aceitação, pelos padrões dos
Tolos. Só porque uso suas roupas, e começo a me comportar como eles, pensam que mudei. Ainda são o inimigo, até mesmo Taira. Uma estupidez de Taira mudar de idéia em relação a Fujiko. O que há com ele? Isso não se ajusta ao meu plano.
Hiraga avistou Struan, saindo de seu prédio, claudicando, junto com Jamie McFay, a mulher de Ori entre os dois, numa conversa animada. O que o lembrou de seu encontro com o número dois da Casa Nobre. Sua cabeça ainda girava dos fatos e números ocidentais e ainda se sentia tonto de todas as informações que McFay lhe arrancara, sobre os emprestadores de dinheiro e mercadores de arroz, como a Gyokoyama.
— Jami-san, talvez encontrar um desses homens, se segredo — dissera ele, em desespero para escapar. — Eu intérprete se guardar segredo.
O
— Quais são as notícias de Quioto?
— É tudo muito estranho — comentou o
Os olhos de Hiraga se arregalaram.
— É mesmo?
— É, sim, Otami-sama. — O
Hiraga soltou um grunhido.
— Curioso...
O
— Ah, sim... talvez não seja de grande importância para você, mas meus superiores acreditam que os dois
— Para Iedo?
— Meus superiores não disseram. É óbvio que a notícia não tem qualquer valor.
O
— Qualquer coisa relacionada com os
— Neste caso... embora seja insensato relatar rumores — disse o
— Nada, nada... — Hiraga fez um esforço para manter a compostura, mil perguntas ricocheteando em sua mente. Apenas uma mulher samurai na escola de Katsumata já adquirira essa habilidade. — O que estava dizendo,
— É apenas um rumor, Otami-sama. Uma tolice. Saquê?
— Obrigado. Essa mulher... dizem mais alguma coisa a seu respeito?
— Não. Mal vale a pena relatar rumor tão tolo.
— Talvez possa descobrir se essa bobagem tem algum fundo de verdade. Eu gostaria de saber. Por favor.