Seria o primeiro a saber qual era o problema e poderia continuar a ser útil para o ministro de seu país. Rompeu o lacre do pergaminho e também sentou-se.
— Em holandês e japonês. É curta.
Ele correu os olhos depressa pela carta, franziu o rosto, releu-a, outra vez, soltou uma risada nervosa.
— Está endereçada ao ministro britânico e diz: “
— Expulsos? Obrigados a partir?
O berro de Sir William passou pela porta. Os convidados para o jantar caíram num silêncio apreensivo. Johann estremeceu.
— Isso mesmo, senhor. Sinto muito. É o que diz aqui: “
— Respeitosa? Mas que maldita impertinência...
A explosão continuou. Assim que Sir William fez uma pausa para respirar, Johann disse:
— Está assinada por “
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QUIOTO
Quinta-feira, 4 de dezembro:
Yoshi Toranaga estava lívido.
— Quando a designação de tairo foi confirmada?
— Anteontem, Sire, pelo pombo-correio para lorde Anjo, em Iedo. — Wakura, o lorde camarista, chefe dos funcionários do palácio, falava em voz suave, indiferente à ira ostensiva de seu convidado, e disfarçando sua alegria, pois aguardara ansioso por aquele encontro, em seus aposentos, dentro do palácio. — O pergaminho formal, assinado pelo xógum, a pedido do filho do céu, foi enviado, se não me engano, para entrega urgente a lorde Nori Anjo no mesmo dia.
Isso deixou Yoshi ainda mais furioso. Seu ancestral, o xógum Toranaga, determinara que os pombos-correios seriam propriedade exclusiva do xogunato. Ao longo de dois séculos e meio esse método de comunicação entrara em declínio, por ser desnecessário, e agora era usado apenas para anunciar ocorrências vitais, como a morte de um xógum ou de um imperador. O
— E quando será entregue o insensato ultimato aos
— Imediatamente, Sire. O pedido imperial foi incluído na mesma mensagem por pombo-correio, confirmado pelo xógum Nobusada, e com a ordem para apresentação imediata.
— A ordem é
— Se dependesse de mim, Sire, faria isso sem hesitar, já que está sugerindo Assim que se retirar, Sire, solicitarei permissão, mas imagino que será tarde demais. O líder
Wakura, feliz, manteve o rosto e a atitude de um penitente. Isso era a culminação de anos de intriga em apoio aos desejos do imperador, a opinião da maioria dos daimios, a maioria dos nobres da corte, de Ogama, que no momento detinha o poder em Quioto, embora os portões fossem mais uma vez ostensivamente guardados pelo odiado xogunato — mas apenas com a permissão de Ogama — também da princesa Yazu e, o mais importante de tudo, em apoio às suas próprias posições.
A escolha hábil e sagaz do momento oportuno, poucos dias antes, o deixara na maior satisfação. Abordara a princesa durante seu passeio matutino pelos jardins do palácio e, num único movimento, neutralizara o xogunato, o
— Princesa imperial, soube que alguns cortesãos próximos do divino, com seus interesses em mente, sussurram que o lorde, seu marido, deveria designar lorde Nori Anjo como tairo, o mais depressa possível.
— Anjo? — dissera ela, incrédula.
— Pessoas de sabedoria, princesa, acreditam que deve ser feito depressa, e com absoluta discrição. As conspirações em Iedo abundam e isso evitaria a interferência de... de inimigos ambiciosos, inimigos que tentam a todo instante arruinar seu reverenciado marido e que têm ligações com os infames