— É verdade, mas pense um pouco: quando nós quatro estivermos diante do filho do céu, juntos, seria o momento certo para alguém... Wakura, príncipe Fujitaka, o xógum Nobusada, ou a princesa... sugerir que, “
A expressão de Ogama tornou-se sombria.
Nenhum de nós concordaria. Iríamos tergiversar, ganhar tempo, até mesmo mentir...
— Mentir? Para o filho do céu? Nunca. Escute mais: digamos que o príncipe conselheiro, antes da cerimônia, em particular, sugerisse o seguinte: “
— Que Conselho de Dez?
— Espere... “
Ogama fitava-o aturdido, gotas de suor no lábio superior.
— Eu... eu nunca renunciaria a Choshu!
— Talvez sim, talvez não. Talvez o porta-voz imperial diga também que o imperador o confirmará em seu feudo, como lorde de Choshu, conquistador dos
— Quem mais integra o conselho? — perguntou Ogama, a voz rouca.
Yoshi removeu o suor da testa. Todo o plano aflorara de repente, quando chegara a seu quartel. O general Akeda precipitara a conclusão com um comentário casual sobre como era insidioso o pensamento em Quioto, o que parecia impregnar o próprio ar que respiravam, que qualquer coisa considerada um prêmio num instante podia se tornar uma cilada no momento seguinte.
Sentira-se até fisicamente doente, sabendo que se poderia deixar seduzir com a mesma facilidade de qualquer outro... hoje mesmo, pouco antes, deixara-se embair para um falso senso de segurança, até compreender que ficaria isolado.
— Aí está, Ogama-sama, já se sente tentado. Quem mais está no conselho? Como se tivesse alguma importância o que lhe dissessem. Seria um contra os indicados deles. Lorde Sanjiro também. O lorde camarista Wakura e sua laia dominariam.
— Não concordaríamos. Eu não...
— Sinto muito, mas você concordaria... eles podem oferecer honrarias para tentar um kami... a maior tentação sendo a de que pretenderiam substituir o xogunato Toranaga pelo xogunato do Conselho dos Dez! Claro que não me seria oferecido um lugar no Conselho de Dez, nem a qualquer outro Toranaga, à exceção de Nobusada, que já é controlado por eles, por causa daquela princesa, como adverti. — A raiva de Yoshi era intensa. — Anjo é o primeiro passo.
Quanto mais os dois homens consideravam os desdobramentos, mais podiam perceber as incontáveis armadilhas pela frente. Ogama disse, a voz rouca:
— As festividades se prolongariam por semanas ou mais... seríamos obrigados a oferecer banquetes à corte, e uns aos outros. Venenos lentos poderiam ser introduzidos.
Yoshi estremeceu. Durante toda a sua vida, sentira um medo profundo de ser envenenado. Um tio predileto morrera em grande agonia, o médico dizendo “causas naturais”, mas o tio era uma farpa incômoda no flanco de um
Rumores, jamais comprovados, mas o veneno era uma arte antiga no Nipão, assim como na China. Quanto mais Yoshi argumentava consigo mesmo — se a morte por envenenamento fosse seu karma —, mais cuidava para que seus mais cuidava que seus cozinheiros fossem de confiança, e se mostrava cauteloso com tudo o que comia, mas isso não eliminava o pânico que o dominava de vez em quando.
Abruptamente, Ogama cerrou o punho e bateu forte na palma da outra mão.
— Anjo tairo! Não posso acreditar!
— Nem eu.