— O nome dele é Oda, Rokan Oda — respondeu Sumomo, usando o nome de cobertura que Katsumata lhe fornecera. — O pai é um
— E seu próprio pai?
— É como eu disse, dama. Ele é da linhagem Fujahito. — Sumomo usava o seu novo nome de cobertura. — É de uma aldeia próxima e também
— Seu guardião diz que Rokan Oda é importante.
— Ele é muito generoso, dama, embora Oda-sama seja um
Katsumata lhe dissera que seria melhor contar a verdade sempre que possível, pois assim haveria menos mentiras a recordar.
— Onde ele está agora?
— Em Iedo, dama.
— Quanto tempo quer ficar comigo?
— Por mim, dama, tanto tempo quanto puder. Meu guardião disse que Quioto era um lugar perigoso para mim. Não posso voltar para casa, porque meu pai desaprova o que faço, assim como os pais de Oda-sama o desaprovam, por minha causa.
Koiko franziu o rosto.
— Isso tornará a vida impossível.
— É verdade. Karma é karma, e o que tiver de ser será. Apesar de eu não ser de valor para ninguém, e creio que desconhecida para o
— Melhor seria obedecer a seus pais, Sumomo.
— Sei disso, mas meu Oda-sama proibiu.
Uma boa resposta, pensou Koiko, vendo o orgulho e a convicção. Triste, ela olhou pela janela entreaberta. Aquele romance proibido acabaria com certeza como tantos outros. Em suicídio. Juntos, se Sumomo fosse abençoada. Ou ela sozinha, quando aquele Oda obedecesse a seus pais, como deveria, e tomasse uma esposa aceitável.
Ela suspirou. No jardim, o crepúsculo transformava-se em noite. Uma suave brisa.
— As folhas sussurram umas para as outras. O que estão dizendo?
Sumomo disfarçou sua surpresa, prestou atenção e disse, depois de um momento:
— Sinto muito, mas não sei.
— Fique escutando durante a minha ausência. É importante saber o que as folhas sussurram. Passará esta noite aqui, Sumomo. Talvez eu volte, talvez não Se eu voltar, conversaremos mais um pouco e você me dirá. Se eu não voltar continuaremos a conversa amanhã, e poderá então me dizer. Quando Teko voltar para arrumar os futons, diga a ela que quero que vocês duas façam um
— Olá, Koiko — murmurou Yoshi, apático.
Ele estava de costas para a parede, a mão perto da espada, numa
Seu sorriso daria para iluminar o dia mais tenebroso. No mesmo instante, ela viu os olhos de Yoshi abrandarem. Muito bem, o primeiro obstáculo.
— Tenho um poema para você — anunciou ela, com um ar solene, simulado.
A risada de Yoshi ressoou pelo aposento. Muito bem, o segundo obstáculo.
— Estou satisfeita por ter me permitido vir para Quioto em sua companhia.
Os olhos de Yoshi assumiram um certo brilho, e ela se animou. Instintivamente, mudou o que ia dizer, que ele era muito bonito nas luzes bruxuleantes da noite. Em vez disso, murmurou o que havia em seu íntimo:
Koiko ajoelhara-se à sua frente e ele se inclinou, pegou sua mão. Não havia necessidade de palavras. Para nenhum dos dois. Agora Yoshi sentia-se em paz, a tensão desaparecida, a solidão esquecida, junto com o medo. E Koiko também se sentia em paz. Tanta energia dispensada para tirá-lo de si mesmo. Tanta coisa revelada. Era uma insensatez revelar demais.
Você é muito importante para mim, ele estava dizendo, sem falar, usando a linguagem dos amantes.
E você me concede uma grande honra, respondeu Koiko, um ligeiro franzido na testa. Seus dedos acariciam o dorso da mão de Yoshi, delicados, dizendo eu amo você.
Olhos se encontraram. Ela ergueu a mão de Yoshi, roçou os lábios. O silêncio os envolvia, começou a se tornar opressivo. Num súbito movimento, Koiko foi para o lado dele, abraçou-o com força. Sua risada foi melodiosa.
— Estamos sérios demais para mim, Tora-chan! — Ela abraçou-o de novo, aninhou-se em seu peito. — Você me faz muito feliz.
— Não mais do que eu — murmurou Yoshi, contente porque a tensão se dissipara.— Você é adorada, assim como seus poemas.
— Aquele sobre a lesma era de Kyorai.
Ele riu.
— É de Koiko, o Lírio! É, não era.
Ela se aconchegou ainda mais, apreciando seu calor e força.
— Quase morri quando soube do que aconteceu esta manhã.
— Vida — disse ele. — Eu deveria estar mais alerta, mas me sentia fascinado pela rua.
Yoshi contou como tudo lhe parecera diferente.