— Foi uma experiência excepcional... a sensação de invisibilidade... boa demais para não experimentá-la de novo, por maior que seja o perigo. O perigo acrescenta um tempero? Experimentarei de novo em Iedo. Será mais fácil à noite; treinarei guardas especiais para me acompanharem.
— Por favor, desculpe, mas sugiro que tenha um certo comedimento no consumo dessa droga.
— É o que pretendo. — Os braços de Yoshi a apertaram, ambos se sentindo confortáveis. — Mas pode muito bem se desenvolver num vício.
Yoshi dormia no cômodo ao lado. Como todo o complexo de alojamentos, os aposentos eram masculinos, com um mínimo de móveis, o tatame de primeira qualidade, mas precisando ser trocado. Não terei nenhum desagrado ao sair daqui, pensou ele. Seus ouvidos captaram o som de passos se aproximando, e a mão deslocou-se para o cabo da espada. Os dois ficaram tensos.
— Sire? — disse uma voz abafada.
— O que é? — perguntou Yoshi.
— Sinto muito incomodá-lo, Sire, mas acaba de chegar uma carta do Dente do Dragão.
Sem precisar que lhe fosse pedido, Koiko foi para o lado da porta, fora do caminho, e ali se manteve, de guarda. Yoshi aprontou-se.
— Abra a porta, sentinela — ordenou ele.
A porta foi aberta. O homem hesitou, vendo Yoshi numa posição de defesa-ataque, a espada solta na bainha.
— Entregue o pergaminho à dama Koiko.
O homem obedeceu e se retirou em seguida. Depois que ele chegou ao final do corredor e passou pela porta que havia ali, Koiko fechou a porta do aposento. Foi entregar o pergaminho a Yoshi e ajoelhou-se na sua frente. Ele rompeu o lacre. A carta da esposa indagava por sua saúde, comunicava que os filhos e o resto da família passavam bem e aguardavam ansiosos por seu retorno. Depois, as informações começavam:
Céu Escarlate. Portanto, um ataque-relâmpago é “
Ele pôs essa questão de lado, para analisá-la mais tarde, e continuou a ler:
Yoshi sorriu. Era a criada de Koiko que sussurrara sobre o encontro secreto de Utani para seu ronin