Ah, Colette, esses insetos são extraordinários, comem folhas de amoreira como alimento, depois a gente seca os casulos e desenrola a seda... Nunca pensei que pudesse me sentir tão interessada. Vargas é o meu informante secreto, e trouxe o vendedor de seda para me mostrar alguns, mas preciso tomar o maior cuidado. Comecei a falar sobre a minha idéia para uma fábrica com Malcolm e Jamie, e eles riram. Malcolm me disse para não ser tola, a produção de seda era um negócio bastante complexo (como se eu não soubesse) e que não devia preocupar minha cabeça com coisas assim. Acredito que eles querem que sejamos casulos, para nos usarem e abusarem a seu capricho, e isso é tudo. Colette, mande-me todos os livros sobre seda que puder encontrar...

Seria maravilhoso possuir seu próprio escritório, e uma porção de dinheiro, pensou ela. Vivendo em Paris, poderei fazer visitas a Londres, de vez em quando a Hong Kong, com jantares, saraus e bailes espetaculares para meu príncipe encantado e seus amigos especiais...

Ela olhou para a carta, em cima da escrivaninha, já lacrada. Mais segredos partilhados, pelo menos em parte.

Esse Edward Gornt está se tornando um amigo de verdade, encantador e atencioso, um amigo de verdade, não como André. Tenho certeza, minha querida Colette, que ele será um amigo pelo resto da vida, porque Malcolm também parece gostar de sua companhia. O que é muito estranho, já que Edward trabalha para aqueles horríveis Brocks, sobre os quais já lhe escrevi, e para Norbert Greyforth, que parece mais venenoso a cada dia que passa, como o bruxo que ele é! Esta noite teremos outro GRANDE sarau. Todos vão comparecer, André tocará ao piano, Edward é um dançarino e tanto, leve como uma borboleta...

Ela não escrevera que na última vez em que haviam dançado, em um jantar oferecido por Sir William, ele segurara sua mão de maneira diferente, perigosa, com pressões suficientes para serem expressivas, até um momento em que seu dedo mínimo se contraíra para tocar no dela: a linguagem dos amantes, quero você na cama, sim ou não, e quando... não diga não!

Ela retirara a mão, com frieza, firme. Gornt nada dissera, seus olhos sorriam, e ela sabia que ele sabia que não estava realmente zangada, apenas era inacessível, comprometida.

E também não estava zangada com André, zangada de verdade. Poucos dias antes, haviam se encontrado por acaso na legação francesa.

— Você está muito bem, Angelique. Fico contente em vê-la. Podemos conversar por um momento, em particular?

Ela respondera que sim, e quando se encontravam a sós, André falara do dinheiro que lhe emprestara.

— Estou numa situação difícil. Poderia me pagar, por favor?

— Mas pensei... que a outra transação cobriu isso.

O coração de Angelique quase parara, ao lembrar-se do estratagema dos brincos perdidos.

— Lamento, mas não cobriu. Só deu para pagar os conselhos e medicamentos da mama-san.

Ela corara subitamente.

— Combinamos não mencionar o assunto, nunca mais, não se lembra? — murmurara ela, querendo gritar com ele por violar o acordo solene. — Nunca aconteceu, foi isso o que acertamos... não passou de um pesadelo!

— Concordo, nunca aconteceu, mas foi você quem mencionou a transação, Angelique, e eu não falei a respeito, apenas sobre o dinheiro. Sinto muito, mas preciso com urgência.

O rosto de André se tornara frio. Cautelosa, ela reprimira sua raiva, amaldiçoando-o por perturbar sua paz. Convencera-se de que nada jamais acontecera. e exceto pelo único homem que podia contestá-la, nada acontecera mesmo. Essa era a verdade. Exceto para ele.

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