Não é justo, não é justo, não é justo, lamentou-se ela, erguendo a taça. Não sou a velha megera que contemplo no espelho, eu sou eu, Raiko, a bela, cortesã de segunda classe, eu sou eu, sou eu, sou eu...
— Ah, Otami-sama — disse o
Hiraga sentou na almofada em frente, na sala agradável, contendo sua impaciência. Agradeceu e aceitou a xícara obrigatória.
— Como vai? — perguntou ele, polido, o coração batendo mais depressa do que gostaria.
— Preocupado, Otami-sama. Parece que os
Hiraga já pensara a respeito. Tyrer e todo o pessoal da legação andavam agtados desde o ultimato do tairo Anjo, Sir William gritando mais do que o habitual, Johann o intérprete passando horas trancado com Tyrer, reescrevendo cartas para o
— É mais fácil se me mostrar a carta, Taira-sama — dizia ele, sempre, querendo saber o que seria enviado.
— Está certo, mas só esta frase, por enquanto... — sempre respondia Taira, inquieto, todos os dias a mesma coisa, o que aumentava a apreensão de Hiraga.
Era evidente que já não confiavam nele como antes, e isso depois que passara dia e noite trabalhando para aprender a língua deles, e lhes dera uma porção de informações. Cães
As patrulhas de vigilantes não deveriam ser permitidas. Os
— As autoridades
O
— Estes são momentos terríveis, a guerra é terrível, e os impostos serão aumentados de novo.
Otimo, pensou Hiraga, a cabeça doendo, tem condições de pagar, mas isso não vai fazer com que você ou qualquer outro da Gyokoyama coma ou beba menos, nem que suas esposas e mulheres se vistam com menos luxo, mas apenas seus fregueses. Parasitas! Já estão violando as antigas leis da extravagância ao permitirem que suas mulheres usem cores proibidas nas roupas, como o vermelho, e ao fazerem o que bem quiserem em suas casas, sem qualquer repressão do
Vamos, velho tolo, fale logo o que quer. Não posso desperdiçar a noite inteira aqui, e não vou me rebaixar e perguntar. Tenho mais estudos a fazer esta noite e outro livro para tentar ler.
Talvez eu possa resguardar seus interesses — disse ele, incisivo.
Mais uma vez, o
A mensagem que recebi se relacionava com a moça sobre a qual você perguntou. Há quatro dias lorde Yoshi deixou Quioto, em segredo, pouco antes do amanhecer, com um pequena escolta, disfarçado como um dos soldados. Ela também foi. No grupo... Está se sentindo bem, Otami-sama?
— Estou, sim — balbuciou Hiraga. — Por favor, continue,
— Claro. No grupo ainda seguia, montada, a cortesã Koiko, a moça que é sua nova
— Nova o quê? — murmurou Hiraga, o nome “Koiko”, com tudo o que implicava, ressoando por todos os cantos de sua mente.
— Por favor, posso lhe oferecer chá ou saquê? — indagou o
— Não, continue — pediu Hiraga, a voz rouca.
— Não há muito mais. Como sabe, a dama Koiko é a mais famosa das cortesãs de Iedo e, agora, a companheira de lorde Yoshi. A moça lhe foi encaminhada há dez dias.
— Por quem?
— Ainda não sabemos, Otami-sama — disse o
Não há equívoco, Hiraga teve vontade de gritar, esse é o codinome que Katsumata deu a ela; portanto, ele a despachou para o ninho das vespas, mas por quê?
— Em que direção lorde Yoshi seguiu?