— Apenas sentou, tomou um drinque grande, com o olhar perdido no espaço, murmurou boa noite, distraído, quando as pessoas começaram a se retirar, sem prestar qualquer atenção a Angelique, outro fato esquisito. Quanto a ela, apenas observava tudo de olhos arregalados, deixando de ser por uma vez o centro das atenções, sem entender o que acontecia, o que me leva a supor que Struan nada lhe confidenciara. Achei melhor vir correndo lhe dar a notícia, e por isso não fiquei por mais tempo.

— Falou sobre um segredo, não é mesmo? Que segredo? Por que a megera da Tess Struan concordaria em cometer um suicídio comercial?

— Por causa do plano de Sir Morgan, senhor.

— Como?

— Sir Morgan. — Gornt exibiu um sorriso largo. — Antes de nossa partida de Xangai, Sir Morgan me disse, em particular, que ele e o Sr. Brock haviam planejado e estavam executando um esquema para arruinar a Struan, e acabar com a companhia de uma vez por todas. Contou que o plano envolvia o açúcar havaiano, o Victoria Bank, e...

— O quê? — Norbert estava surpreso, lembrando que Sir Morgan dissera expressamente que não revelara a Gornt nenhum detalhe do golpe, e não queria que ele soubesse de nada, “embora o rapaz seja de confiança, e não haja mal algum em deixá-lo se insinuar no círculo de Struan para ver o que pode descobrir”. — Morgan contou os detalhes? Explicou a operação?

— Não, senhor. Pelo menos só me disse o que tinha de transmitir a Struan, tão secretamente quanto possível.

— Por Deus! — exclamou Norbert, exasperado. — É melhor você começar desde o início.

— Ele disse que eu não deveria lhe contar nada sobre a minha participação até que o consumasse, até fazer tudo o que me mandou. E consegui. Conquistei a confiança de Malcolm Struan, por isso agora posso contar. — Gornt tomou um gole do champanhe. — Excelente champanhe, senhor.

— Fale logo!

— Sir Morgan me mandou contar uma série de histórias a Malcolm Struan... disse que eram bem próximas da verdade, para fisgar Struan, e por seu intermédio a verdadeira tai-pan, Tess Struan. E posso quase garantir, senhor, que o último tai-pan Struan ficou firmemente fisgado. — Em poucas palavras, Gornt relatou a substância do que dissera a Malcolm Struan. Ao final, soltou uma risada e acrescentou: — Devo lhe fornecer “os detalhes secretos” depois do duelo, a caminho de seu navio.

— O que dirá a ele?

O homem mais velho escutou com toda atenção. Conhecendo os detalhes verdadeiros, sentiu-se fascinado ao ouvir mais da astúcia de Morgan. Se Tess Struan agisse sob aquelas falsas informações, proporcionaria a Sir Morgan as poucas semanas extras que ele queria.

— Mas já é infalível agora, Sir Morgan — dissera Norbert em Xangai, ao tomar conhecimento do plano —, não precisa de tempo extra. Posso fazer minha parte em Iocoama antes do Natal.

— Sei que pode e o fará. Mas papai e eu gostamos de ser mais seguros do que seguros; o tempo extra manterá nossos pescoços longe do laço e nossos rabos fora da prisão.

Norbert reprimiu um tremor ao pensamento de ser apanhado. Não haveria o laço do carrasco, mas a prisão por fraude era mais do que provável e a cadeia dos devedores uma certeza. Sir Morgan é mesmo um patife astuto, é típico dele me dizer uma coisa e outra a Gornt. Ele me salvou de um risco, o de matar Struan. Portanto, será a Inglaterra para mim, com cinco mil por ano, mas perco o melhor, um solar, ficar rico. Melhor seguro do que arrependido depois.

Ele suspirou. Aguardava ansioso a oportunidade de meter uma bala em Malcolm e colher o creme. As palavras do velho Brock estavam gravadas em sua memória:

— Norbert, você ficará com o creme na aposentadoria. Sua gratificação será de cinco mil guinéus por ano se o matar. Por um ferimento grave, mil guinéus.

Sorrindo, ele comentou agora:

— Morgan é muito esperto, formulou um plano infalível. — Para se certificar, testando o rapaz, Norbert acrescentou: — Não concorda?

— Como, senhor?

— As pequenas mudanças fazem toda a diferença, não é?

Ele observava Gornt com a maior atenção.

— Lamento, senhor, mas não conheço os detalhes... a não ser o que ele me disse e me mandou transmitir para Struan.

— Vou tomar outro scotch... sirva-se de champanhe — disse Norbert, satisfeito.

Ele bebeu em silêncio, até ter pensado em tudo, antes de voltar a falar:

— Continue a agir como se não tivesse me contado nada. Cancelarei o duelo amanhã. Não posso agora matá-lo, nem deixá-lo fora de ação.

— Tem toda razão, senhor, foi o que também pensei. — Gornt entregou-lhe a carta de Malcolm Struan, igual à que Gornt já assinara. — Ele me pediu para trazer isto. Mas sugiro que não cancele amanhã, pois pode deixá-lo desconfiado... e talez possamos descobrir o que há de tão importante na Pearl, se ele for, ou se nao for.

— É isso mesmo, Edward, boa idéia. — Norbert soltou uma risadinha. — portanto, na quarta-feira, o jovem Struan se lança no caminho do desastre, hem?

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