A fumaça da fragata formava um ângulo ao sair da chaminé. O resto da esquadra e os navios mercantes estavam ancorados na baía. Umas poucas cristas espumantes. Norbert virou seu binóculo para o
— Olhe ali! — exclamou Gornt de repente, excitado. — Pode ver o sinaleiro?
— Onde? Ah, sim, estou vendo.
— Ele está transmitindo uma mensagem para a nave capitânia, fazendo os primeiros sinais com as bandeiras. “Capitão da
— Observe a nave capitânia, à espera de alguma resposta!
Gornt obedeceu e Norbert acrescentou:
— Onde aprendeu a ler as bandeiras de sinalização da marinha?
— Em Norfolk, Virgínia, senhor. Quando era garoto, gostava de observar os navios, os nossos e os britânicos. Tornou-se uma espécie de passatempo. Depois, meu pai comprou um livro americano e outro britânico, com a maioria das frases padrões e alguns de seus códigos. Costumava ganhar apostas para meu pai quando ele recebia oficiais, em geral para jogar cartas. Minha mãe e ele gostavam de receber, sempre com a maior generosidade, antes do desastre com o algodão, quando perderam a maior parte de seu dinheiro.
— Pode ler todas as bandeiras? Todos os códigos? — perguntou Norbert, especulando como poderia aproveitar esse conhecimento de Gornt. — Seria capaz de ler as bandeiras da Struan, de navio para navio, ou de navio para terra?
— Se usarem os códigos internacionais de sinalização, embora seja provável que eles também tenham, como a Brock, códigos especiais... Espere um instante, uma mensagem da nave capitânia, no código normal. “Para capitão da
— No alvo!
— Bandeira acusando o recebimento. — Gornt baixou o binóculo, esfregou os olhos, pois a concentração deixara-o com dor de cabeça. — No alvo? Sabe o que tudo isso significa?
— O que havia de tão importante a bordo da
Norbert não demorou muito a explicar.
— Casados? — disse Gornt. — Mas é brilhante, senhor!
— Nunca pensei que Ketterer fosse concordar, mas parece que foi isso mesmo. Por quê? Ele não tem nada a ganhar. — Norbert ficou perplexo, mas depois exibiu um sorriso rancoroso. — A menos... a menos que ele tenha chamado os dois para passar uma descompostura em Marlowe e desfazer o casamento de imediato... para espetar a faca ainda mais em Struan, torturá-lo mais um pouco.
— E ele pode fazer isso?
— Aquele patife pode fazer o que bem quiser, verdade seja dita. — Norbert cuspiu na escarradeira e jogou a ponta do charuto ali. — Todos os homens a bordo da esquadra têm o dever de obedecer a ele e nenhum se esquiva!
— Está querendo dizer que ele pode obrigá-los a irem contra a lei?
— Vamos pôr de outra maneira: eles têm de obedecer imediatamente ou sofrer as conseqüências... que variam do açoite à passagem por baixo da quilha, preso por uma corda. Se ele quisesse, poderia enforcar qualquer homem e depois alegar que foi enganado pelos subalternos... escapando de qualquer corte marcial. Enquanto isso, você está morto.
— Então como o senhor pode... se opor a ele com tanta veemência, Sr. Greyforth?
— Porque Ketterer respeita a lei, eles são condicionados assim na marinha real, a obedecer às ordens de quem está por cima, mas acima de tudo porque contamos com Wee Willie... que ocupa uma posição superior. Ele é a nossa proteção contra Ketterer, o general, os japas, e todos os outros inimigos... mas isso não salvará o jovem Struan da fleuma de Ketterer.
— Ou seja, capitão Marlowe, o pedido especial que o Sr. Struan lhe fez foi o de navegar para alto-mar... e casá-lo com
— Isso mesmo, senhor.
Marlowe se encontrava em posição de sentido, incapaz de ler o rosto do almirante. Ketterer se achava ladeado à mesa, no enorme camarote na popa, pelo capitão da nave capitânia. Por trás deles, seu ajudante-de-ordens também se mantinha imóvel.
— E fez isso, sabendo que ambos eram menores?
— Sim, senhor.
— Por favor, apresente-me um relatório, por escrito, até o pôr-do-sol, especificando suas razões, exatamente, e relatando o que ocorreu, exatamente. Dispensado.
Marlowe bateu continência e começou a se retirar, enquanto Ketterer se virava para o capitão, um homem feio e rude, o rosto curtido, conhecido pelo rigor de sua disciplina, e pelo culto aos regulamentos navais.