O Cúter balançava no mar agitado, jogando-os um contra o outro, aos risos, e que aproximou de lado do cais, entre gritos e aplausos, na atracação mais impecável que o contramestre já efetuara.

— Depressa nos cabos, rapazes! — ordenou ele.

Mas nem havia necessidade, pois mãos ansiosas recolheram os cabos, prenderam nos postos, com vários marujos se adiantando para ajudar.

— Parabéns, tai-pan, Sra. Struan! — gritou Jamie.

Os gritos e aclamações chegaram ao clube, no outro lado da High Street. Todos saíram para a rua, tirando o chapéu, até mesmo a Sra. Lunkchurch e a Sra. Grimm, contagiadas pelo espírito festivo.

Gornt e Norbert Greyforth observavam de janelas do segundo andar do prédio da Brock. Todos os criados chineses agrupavam-se diante das casas, de olhos esbugalhados, enquanto os samurais no portão norte se mostravam aturdidos. Os ministros e suas equipes saíram das respectivas legações: Sir William, com uma expressão severa, acompanhado por um risonho Phillip Tyrer e por Michaelmas Tweet, com um ar sombrio, furioso; Zergeyev radiante, aplaudindo com o maior entusiasmo; Dmitri, gritando parabéns e acenando com uma bandeira americana; e Seratard e André, divididos entre a exultação pelo fato de o casamento ter se consumado e a irritação por não terem sido consultados.

— André, traga-a o mais depressa possível. Jésus, a estúpida gamine deveria ter nos transmitido o segredo... era sua função controlá-la! — Seratard falou pelo canto da boca, enquanto acenava com vigor, em resposta ao aceno de Angelique. — Struan deve fazer um testamento de acordo com o Código Napoleão imediatamente. Cuide disso. Só Deus sabe que truques sujos William vai tentar, a favor ou contra... mas independentemente do que ele disser, nossa posição é de que se trata de um casamento legal, mas devemos exigir que se conforme à lei francesa. Fale com o padre Leo. Ele celebrará um casamento apropriado na semana que vem... Mon Dieu, olhe só para aqueles cretinos!

Angelique e Struan eram assediados por todos os lados. Com crescente dificuldade, tentaram abrir caminho pela multidão. Todos queriam beijar a noiva, como tinham direito, mas eram impedidos por outros, aumentando o tumulto.

Ela começou a entrar em pânico. Isso aumentou a tensão dos que se encontravam mais próximos. A multidão turbilhonava, ameaçava sufocá-la, Struan fazendo um esforço para se manter ao seu lado. Jamie pôs-se a empurrar com vigor as pessoas à frente, alguém desferiu um soco e começou uma briga violenta. Sir William gritou para os fuzileiros de sentinela:

— Vão até lá e abram caminho para os dois! Depressa, pelo amor de Deus, ou eles serão esmagados! — Os quatro homens desataram a correr, enquanto ele acrescentava: — Phillip, trate de supervisioná-los; leve Struan à minha sala o rnais depressa possível.

O sargento berrou:

— Ei, vocês aí!

O demônio da turbulência, que às vezes se manifestava numa multidão sem qualquer razão aparente, desapareceu por completo. Calmo e firme, o sargento forçou a passagem entre as pessoas.

— Comportem-se, dêem espaço à moça!

Todos obedeceram e Struan alcançou Angelique.

— Você está bem, Angel?

— Estou, sim, amor. — Agora que havia mais espaço, o pânico dissipou-se. Ela ajustou o chapéu e constatou que a pluma quebrara. — Olhe só para isso!

— Deixem-me ajudá-los! — disse Tyrer, solene. — Vocês todos, tratem de se afastar! Deixaram a pobre moça assustada. Você está bem, Angelique? Malcolm?

— Claro que estamos — respondeu Malcolm. Agora que ela estava segura, sua felicidade voltou e ele acrescentou: — Obrigado pela recepção! Drinques por conta da Casa Nobre! O bar do clube está franqueado a todos e assim continuará até segunda ordem!

Houve uma debandada geral nessa direção. Um momento depois, só Malcolm, Angelique, McFay e Phillip Tyrer permaneciam ali. E a presença azeda de Michaelmas Tweet, que disse:

— Sr. Struan, a cerimônia não é legal e devo adverti-lo...

— Pode estar certo, reverendo, mas fui informado do contrário — interrompeu-o Malcolm, com firmeza, já tendo formulado um plano para Tweet, outro para o padre Leo, e um terceiro para Sir William. — Não obstante, creio que há uma solução feliz. Não gostaria de ir amanhã ao meu escritório, por volta de meio-dia? Posso lhe assegurar que tudo acabará bem.

Depois, ele sussurrou para Jamie:

— Tire-o daqui.

E acrescentou para os outros:

— Sigam para o escritório, o mais depressa que puderem.

Eles tiveram de passar pelo meio de alguns retardatários, até que Angelique murmurou:

— Phillip, vamos mais depressa!

Ela correu na frente com ele, a fim de evitar o padre Leo, que se aproximava pela rua, o mais depressa que sua corpulência e a batina permitiam. Entrando no saguão, onde quase todo o pessoal esperava em fila, com Vargas à frente, Chen com um sorriso frio, Angelique soltou uma risada nervosa.

— Não queria ter de falar com ele.

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