— Por que não? — O sorriso de Tyrer era radiante. — Você está casada e Ponto final... pelo menos Sir William vem cuspindo fogo desde que soube, amaldiçoando a marinha, Ketterer, Marlowe... por isso, acho que estão mesmo casados, e tudo o que quero dizer é meus parabéns, e posso beijar a noiva?

Ele não esperou e beijou-a como um irmão. Angelique abraçou-o e deixou escapar outro suspiro de alívio. Struan entrou, junto com McFay.

— Tranquem a porta — ordenou ele.

Ajudado por Vargas, McFay obedeceu, empurrando para fora, polida mas firmernente, uns poucos mercadores mais persistentes. Bateram e trancaram a porta no instante em que o padre Leo ali chegou, tentou a maçaneta, depois martelou-a, como se fosse um portal de catedral.

Mas ninguém prestava a menor atenção, escapando para o escritório, com um bando de crianças levadas, e ali arriaram em cadeiras. Exceto Malcolrn.

— Champanhe, Chen. Obrigado, Vargas. Voltaremos a conversar mais tarde — disse ele, interrompendo as congratulações. E acrescentou em cantonês para Chen: — Traga logo o champanhe, seu fingido.

Jamie McFay fechou a porta depois da saída de Chen e sentou na última cadeira.

— Ah! — exclamou Malcolm, borbulhante como o champanhe.— Nunca imaginei que seria assim. Phillip, mais uma vez obrigado pelos votos de felicidade. Obrigado a você também, Jamie. Você está bem, Angel?

— Estou, sim, Sr. Struan, maravilhosa.

— É uma notícia sensacional, Malcolm — disse Tyrer.—E antes que eu me esqueça, Sir William deseja lhe falar, o mais depressa possível.

A maneira como ele falou, especulativa, como se fosse uma coisa irrelevante quando todos sabiam que recebera a ordem aos berros, causou repentino silêncio rompido quando todos desataram num riso histérico.

— Amanhã de tarde, com o maior prazer — respondeu Malcolm.

Logo os copos ficaram cheios, foram esvaziados ainda mais depressa, enchidos de novo, todos falando em voz alta, sem que ninguém escutasse. A porta foi aberta. Vargas fez um sinal para McFay, lhe sussurrou alguma coisa. Jamie acenou com a cabeça.

— Já estou indo. Tai-pan, pode me dar licença? E há um recado para Ange... para a Sra. Struan: o Sr. Seratard quer dar seus parabéns pessoalmente, na legação, o mais depressa possível, e... o padre gostaria de lhes falar por um momento.

— Jamie, primeiro termine seu drinque. Vargas, mande avisar a Seratard que o poremos no alto da lista, mas antes diga ao padre Leo para me procurar aqui no escritório amanhã, às cinco horas da tarde.

Vargas se retirou. Malcolm percebeu uma apreensão no rosto de Angelique.

— Falarei sozinho com ele, Angel. Não precisa se preocupar com isso. Prometo que a situação estará calma até o domingo. Tenho tudo sob controle. Assim que escurecer, voltaremos ao cúter.

— Ao cúter? Para que, Malcolm?

— Outra surpresa. Vamos jantar no Prancing Cloud e passar a noite ali Haverá mais surpresas amanhã, muitas e muitas, inclusive um plano para a lua-de-mel. Sairemos dentro de uma hora; você nem precisa trocar de roupa. Mandei Ah Soh embalar algumas roupas para você, que já foram levadas para bordo. — Para Jamie, ele acrescentou: — Tem mesmo de sair? Qual é o problema?

— Marquei um encontro com Gornt e esqueci-o por completo, no excitamento. Ele espera na minha ante-sala. Pediu a Vargas para transmitir aos dois seus parabéns e também os de Norbert.

— Agradeça a ele por mim, mas não demore muito.

— Agradeça também por mim, Jamie — disse Angelique.

— Pois não, Sra. Struan.

MacFay tentava se acostumar com as palavras, achando difícil e artificial, as palavras lembrando Tess Struan, e agora ele se sentia bilioso sempre que pensava nela. No momento em que soubera do casamento, o motivo para a carta de Malcolm ao Guardian e do anúncio da noite anterior havia se tornado evidente, até mesmo a ocasião escolhida para o duelo, tudo passara a se encaixar.

Casados! Oh, Deus!

As implicações para Malcolm eram imensas. Para ele próprio, não importava que tivesse feito as pazes com Malcolm e consigo mesmo. Duvidava da possibilidade de algum dia fazer as pazes com Tess Struan. Embora ela fosse uma Struan fanática, ao mesmo tempo herdara a sede e a necessidade implacável de vingança do pai. Ele testemunhara essa vingança em cima do contramestre que comandava o barco que emborcara, afogando os gêmeos e seu segundo filho. Acusara-o de assassinato, exigindo que fosse enforcado. O juiz considerara-o culpado de negligência, causando homicídio involuntário, e lhe aplicara a pena máxima, dez anos de trabalhos forçados na prisão de Hong Kong, a que o homem não sobreviveria. Negligente? Não fora bem assim, McFay e a maioria pensaram na ocasião, a tempestade fora repentina, como costumava acontecer naquela estação, um lamentável acidente. Mas ela era Tess Struan, da Casa Nobre. O verdadeiro erro do contramestre, refletiu ele agora, com tristeza, fora ter sobrevivido e deixado as crianças morrerem.

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