— É o que estamos tentando descobrir. Seria melhor se houvesse um testamento designando-a como herdeira. Agora, você deve voltar com... com os restos mortais para Hong Kong. Esteja preparada para a hostilidade da mãe... em público, tente se mostrar amiga. Deve comparecer ao funeral, vestida corretamente, é claro. — Depois, ele acrescentara: — Talvez Henri possa lhe dar uma carta para o nosso embaixador. Já o conhece?

— Já, sim. Monsieur De Geroire. Henri “poderia”? Que tipo de carta ele Poderia escrever para mim?

— Se fosse possível persuadir Henri, com sua recomendação você poderia ficar sob a proteção de De Geroire, como uma tutelada do Estado. Estou convencido de que é legalmente a viúva do falecido tai-pan, Malcolm Struan. Se Henri nos apoiasse com vigor, essa poderia se tornar uma política de Estado.

— Quer dizer que preciso de uma grande proteção?

— Eu tenho certeza disso, o que já não acontece com Henri.

Angelique suspirara. Fora isso também o que ela concluíra. Mas política de Estado? Era uma idéia nova, uma possibilidade em que não pensara. Política de -Estado representaria a proteção da França. Qualquer coisa valeria isso... não, não qualquer coisa.

— O que eu poderia fazer para persuadir Henri?

— Posso fazer isso por você. Ou pelo menos tentar.

— Pois então comece logo. E me avise esta noite o que posso fazer em retribuição. Antes do jantar seria conveniente ou amanhã de manhã... como você preferir.

Não houvera necessidade de dizer mais. Amanhã seria melhor, André informara, retirando-se em seguida. Antes da chegada da pessoa seguinte na lista, Skye, ela se recostara na cadeira, sorrira para o teto, especulando sobre o preço.

Tutelada do Estado francês? Gostava da idéia, pois sabia que precisaria de toda a ajuda que pudesse obter para combater a ogra de Hong Kong...

E agora, enroscada na outra cadeira de Malcolm, na suíte do tai-pan, a porta trancada por dentro, ela apreciou a idéia ainda mais, e outra vez especulou sobre o preço. Seria alto. As moedas de ouro secretas serão o suficiente para começar, depois o anel de rubis, e agora tenho um sinete, o sinete de Malcolm.

Ela guardou tudo de volta, fechou o compartimento secreto.

Contente com o progresso efetuado no primeiro dia de sua nova vida, fechou os olhos e mergulhou num sono sem sonhos, até que uma batida na porta a despertou. Eram quase quatro e meia.

— Quem é, por favor?

— Jamie, Angelique.

Uma corrente de expectativa a percorreu. Mantenha a calma, advertiu a si mesma, enquanto destrancava a porta, o gelo que você atravessa é extremamente fino e as águas por baixo são letais.

— Entre, por favor, meu caro Jamie. — Outra vez Angelique sentou na cadeira do marido, gesticulando para que ele se instalasse na cadeira que ela sempre ocupara antes. A mudança agradou-a. — Você parece muito aflito, triste demais.

— Ainda não consegui me acostumar à idéia... nem com as mudanças, Angelique.

— Posso compreender. É mesmo muito difícil.

— Você também mudou. Posso... posso dizer como parece maravilhosa, tão forte... ora, sabe como é.

— É justamente esse o problema, meu caro Jamie, não sei. Só sei o que aconteceu, e posso aceitar, já aceitei. Minhas lágrimas... creio que devo ter derramado todas as lágrimas da minha vida. Por isso, pelo menos no momento-não há mais lágrimas. Conversaram com Sir William?

— Conversamos. Skye disse que voltaria por volta das seis horas, se for conveniente para você.

Ele a viu balançar a cabeça, distraída.

— Não gosta dele, não é, Jamie?

— Não gosto de nenhum advogado. Eles sempre criam problemas, embora Skye não seja um mau sujeito. E creio que a servirá direito. Mas se ficar preocupada, trate de me avisar. Mal... Malcolm gostava dele, e você precisava de alguém para representá-la.

— Também é difícil para mim dizer o nome dele, Jamie. “Marido” é igualmente difícil. Ainda mais difícil. Não se sinta embaraçado.

Jamie balançou a cabeça, desolado, tirou as cartas do bolso.

— Sir William disse que as cartas fazem parte do espólio, como o dinheiro. Não pode decidir sobre as questões legais... vai enviar uma carta urgente ao procurador-geral em Hong Kong... mas não vê motivo para que você não fique com as cartas, se prometer não destruí-las. Quanto aos soberanos, você deve recebê-los... expliquei a ele que achava que você não tinha qualquer dinheiro seu no momento... mas ele pede, por favor, que lhe dê um recibo.

— Não tem problema. Ele leu as cartas?

— Não, ninguém leu. — Hesitante, Jamie largou-as em cima da mesa. — Há mais algumas coisas... fizemos uns acertos... gostaria que eu lhe dissesse agora, ou... posso voltar mais tarde.

— Não, estou bem. Que acertos, Jamie?

Ele respirou fundo, detestando ter de contar tudo, mas era seu dever.

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