Não havia tempo para pensar sobre isso agora. Ele se encolheu ainda mais nas sombras, quando um dos homens se aproximou, murmurando e praguejando pelo pouco que encontrara, um saco ensebado numa das mãos. Todos os três eram esqueléticos e imundos. Um se aproximou das sombras em que se escondia, mas passou sem vê-lo. Mais meia hora e a luz desapareceria, não havia outra coisa a fazer que não esperar. Subitamente, o vão de porta foi bloqueado.

— Pensou que eu não tinha visto você, hem? — disse o homem, a voz rouca, carregada de ameaça. — O que está fazendo?

Hiraga empertigou-se devagar. Tinha a mão na pequena pistola no bolso. E depois viu a faca aparecer no punho que mais parecia uma garra, o homem desferir um golpe violento para a frente. Só que Hiraga foi mais rápido, segurou a mão, acertou uma cutilada na garganta do homem. Ele ganiu como um porco estripado e arriou no chão. No mesmo instante, os outros dois levantaram os olhos e se adiantaram apressados para investigar.

Pararam abruptamente. Hiraga aparecia agora no vão de porta, a pistola numa das mãos, a faca na outra, por cima do homem que se contorcia na terra, sufocado. Facas apareceram e os dois homens atacaram. Hiraga não hesitou e arremeteu contra um dos homens, que saiu correndo, proporcionando-lhe a abertura de que precisava. Passou em disparada entre os dois, correndo para a cidade dos bêbados, não querendo perder tempo numa luta. Momentos depois, alcançou uma rua transversal, mas descobriu que o chapéu caíra na corrida. Olhou para trás e viu um dos homens pegá-lo, com um grito. Em segundos, o outro homem também pôs mão no chapéu e os dois se puseram a brigar e a praguejar por sua posse.

O peito arfando, Hiraga deixou que ficassem com o chapéu. Outro olhar para o céu. Seja paciente. Depois que eles forem embora, você poderá ir até o poço. Não deve revelar sua existência, pois é essencial para o ataque. Seja paciente Compre um chapéu ou um gorro. O que saiu errado?

— Para onde será que ele foi?

— Não pode estar longe, Sir William — garantiu Pallidar. — Coloquei homens nos portões e na ponte para a Yoshiwara. É bem provável que ele esteja numa das estalagens. Uma questão de tempo antes que apareça. Quer que o ponhamos a ferros?

— Não. Quero apenas que o tragam até aqui, desarmado, sob vigilância.

— E esse sujeito?

Akimoto estava sentado, de costas na parede, um soldado ao lado. Já fora revistado.

— Decidirei depois de falar com ele. Ah, André, entre. Você não precisa esperar, Settry. Jantarei com o ministro russo. Assim que pegar Nakama, vá me chamar.

Settry bateu continência e se retirou.

— André, lamento incomodá-lo, mas não conseguimos encontrar Nakama. Como Phillip não está aqui, você poderia servir de intérprete para mim, perguntando a esse sujeito onde ele se encontra?

Ele ficou observando, enquanto André começava a interrogar Akimoto, tentando conter sua irritação, desejando que Phillip Tyrer tivesse ficado, em vez de partir com Babcott. Espero que tudo corra bem. Droga, se Nakama não for apanhado, Yoshi ficará furioso, e com toda razão.

— Ele diz que não sabe — informou André, que não tirara o capote. A sala de Sir William estava sempre congelando, mesmo no dia mais frio, seu fogo de carvão mínimo. — Parece retardado, murmura que Nakama pode estar em qualquer lugar, talvez na Yoshiwara, até mesmo em Kanagawa.

— Hem? — Sir William ficou chocado. — Ele não deveria deixar a colônia sem a minha aprovação. Pergunte a ele... pergunte quando Nakama saiu?

— Ele diz que não sabe, não conhece Nakama, se ele saiu ou onde se encontra, não sabe de nada.

— Talvez uma noite na cadeia refresque sua memória. Cabo! — A porta aberta no mesmo instante. — Ponha este homem na cadeia durante a noite ou até que eu dê ordens em contrário. Ele deve ser bem tratado. Entendido?

— Entendido, senhor.

— Ele deve ser bem tratado.

— Sim, senhor.

O cabo sacudiu um polegar para Akimoto, que saiu da sala de costas, fazendo reverências. A cadeia, usada para os arruaceiros e os soldados sujeitos à disciplina militar, ficava no final da rua, um prédio baixo de alvenaria, com uma dúzia de celas. Depois do clube, fora o segundo prédio construído, um costume normal na maioria das colônias britânicas.

Merci, André.

De rien.

— Tem alguma idéia do lugar em que poderíamos encontrá-lo?

— Não, monsieur, afora o que o homem disse. Vejo-o no jantar.

André sorriu, saiu, começou a descer pela High Street, o vento agitando as folhas, papéis e detritos diversos. Não restava muita claridade no céu.

Перейти на страницу:

Все книги серии Asian Saga (pt)

Похожие книги