Ela observava André, esperando que ele começasse. A expressão de André era dura, a pele pálida e esticada, ele emagrecera. O primeiro copo fora esvaziado. E depois o segundo. Agora, ele se pôs a tomar o terceiro.
— Você está mais linda do que nunca.
— Obrigada. Como vai sua Hinodeh?
— Mais linda do que nunca.
— Se a ama tanto, André, por que seus lábios se contraem e os olhos se esbugalham de raiva quando menciono o nome dela... disse que eu podia interrogá-lo a respeito.
Poucos dias antes, ele falara sobre o acordo. Em parte, não tudo. Irrompera quando o desespero o dominara.
— Se era tão intransigente em fazer amor no escuro e com o preço absurdo que Raiko exigia, por que concordou, em primeiro lugar?
— Eu... era necessário — murmurou ele, sem fitá-la.
André não podia contar o verdadeiro motivo. Era suficiente ver os lábios de Seratard se contraírem e evitar qualquer contato físico desde então, tomando cuidado para nunca usar os mesmos talheres, nem o mesmo copo, embora a doença só fosse contraída de um homem ou uma mulher... ou será que não?
— Apenas dei uma olhada nela... e
As palavras definharam. Ele serviu-se de outro copo, a garrafa quase vazia agora.
— Não pode imaginar como ela se mostrou totalmente desejável desde o Primeiro momento. — Ele tomou um gole do champanhe. — Desculpe, mas preciso de dinheiro.
— Claro. Mas só me restou um pouco.
— Tem o papel, com o sinete dele.
— Como?
O sorriso de André se tornou ainda mais insidioso, se é que isso era possível.
— Por sorte, os cambistas falam com os cambistas, os escriturários com os escriturários. Preencha outro amanhã. Por favor. Quinhentos mexicanos.
— É demais.
— Nem a metade do que preciso,
André levantou-se, foi fechar as cortinas para o resto de claridade do dia depois acendeu o lampião a óleo, que estava na mesa, estendeu a mão para garrafa. A borra caiu em seu copo, e ele bateu com a garrafa de volta no balde d gelo.