Não havia amor perdido entre os meios-irmãos e Tess Struan, mas uma cláusula no testamento de Dirk estipulava que se os dois meninos se destacassem nos estudos seriam aproveitados na Casa Nobre, ao limite de sua capacidade. Os dois eram inteligentes, tinham contatos com amigos de Eton e da universidade em altos postos, espalhados pela aristocracia, na City e no Parlamento, onde Frederick acabava de ganhar um assento, o que os tornava ainda mais valiosos. Mesmo assim, ambos sabiam que Tess Struan os dispensaria se não fosse pela cláusula.
— Espero que ela não tenha vindo nos fazer uma visita... o que seria bastante incômodo.
McFay riu.
— Vamos correr as escotilhas.
— Olá, André.
— Boa noite, Angelique.
Ela sentava em sua cadeira predileta, perto da janela, as cortinas abertas para a enseada.
— É o
— É, sim.
— Ótimo. Ela está a bordo?
André exibiu um sorriso irônico.
— Isso explicaria a volta do clíper.
— Não faz diferença, de qualquer maneira — murmurou Angelique, embora sentisse um frio no estômago. — Aceita um drinque?
— Obrigado. — Ele viu a garrafa de champanhe aberta no balde de gelo e um copo pela metade na mesa. — Posso?
— À vontade.
Tornara-se costume de Angelique contemplar o pôr-do-sol, o crepúsculo e o cair da noite, com champanhe. Apenas um copo, a fim de se preparar para a longa noite, e depois a madrugada interminável. Seu padrão de sono mudara. Não mais encostava a cabeça no travesseiro para mergulhar no sono no mesmo instante, só bordando ao amanhecer. Agora, o sono se lhe esquivava. A princípio, isso a assustara, mas Babcott a convencera de que o medo só servia para agravar a insônia.
— Não precisamos de mais que oito ou dez horas, por isso não deve se preocupar. Aproveite o tempo em seu benefício. Escreva cartas, ou seu diário, tenha bons pensamentos... e não se preocupe. Ontem, Angelique escrevera: