Paz? A única paz de um chantagista é quando a denúncia terrível com que ele a ameaça não precisa mais ser escondida. No meu caso, será quando ELA pagar e o dinheiro estiver em meu poder. E depois que André conseguir o que quer... Hinodeh, talvez. O que ela deseja? Esconde-se de André no escuro. Por quê? Poi causa da cor dele? Para se excitar? Por vingança? Porque ele não é japonês?
Sei agora que o ato de amor pode ir do terror ao êxtase e à ilusão, com todas as variações intermediárias. Minha primeira vez com Malcolm foi na luz, a segunda no escuro; ambas foram maravilhosas. Com
Os ouvidos aguçados de Angelique captaram o apito do cúter a vapor. Ela abriu as cortinas, avistou a lancha se afastar apressada do cais da Struan, as luzes de bombordo e boreste acesas, Albert MacStruan na cabine. Na enseada, o
A mente de Angelique projetou-se para bordo, e na imaginação viu sua inimiga.
— como sempre, lábios finos, olhos claros, alta e empertigada, magra, malvestida. — para depois seguir mais além, até o lugar em que Malcolm fora sepultado. Ela sorriu, exultando com essa vitória, o som de seu coração pulsando nos ouvidos. E depois ela tornou a se enroscar na cadeira — a cadeira de Malcolm, a cadeira de ambos, outra vitória — e observou a escuridão se tornar mais escura, apenas as luzes de ancoragem se destacando. Angelique mal conseguia conter seu excitamento.
Com toda certeza, Edward estaria a bordo.
53
A porta da sala de Jamie foi aberta e Vargas entrou quase correndo, esbaforido.
— A lancha deixou o
— Ela está a bordo? — perguntou Jamie, sem levantar os olhos da caixa que enchia de documentos. Como não houvesse resposta, ele acrescentou, com alguma irritação: — E então, ela está ou não a bordo?
— Eu... acho que sim.
— Eu disse para me avisar quando tivesse certeza, não antes!
— Desculpe, senhor, mas eu estava no cais, espiei pela luneta, pensei que era melhor vir informá-lo e perguntar o que... o que devo fazer.
— Volte para recebê-la, mas primeiro certifique-se de que todos os criados estão prontos, mande acender um fogo na suíte do
— Mas isso significa que ela ficará ao lado da Sra. Angeli...
— Sei disso, mas é a suíte do
Vargas saiu. Incapaz de resistir, Jamie foi até a janela. O cúter aproximava-se da praia. Apenas com as luzes de ancoragem acesas, e balançando nas ondas. Ele focalizou o binóculo. Vultos indefinidos na cabine, mas uma mulher, sem a menor sombra de dúvida. Não havia como se equivocar com a touca, o porte ereto e a maneira como ela suportava o balanço do barco.
—
A respiração saiu de sua boca num suspiro. Para firmar a imagem, Jamie encostou-se à janela. Não melhorou muito. Identificou um dos vultos como o capitão Strongbow, mais pela altura e corpulência do que por qualquer outra coisa. Dois outros homens, não três... e um deles era MacStruan.
O cúter veio depressa, os danos na proa causados pela tempestade ainda fáceis “e se ver, os reparos ainda não completados. Espectadores curiosos esperavam sob a lanterna balançando no cais, todos agasalhados contra o frio do inverno, de chapéu e cachecol, itens que eram agora obrigatórios. Difícil ver os rostos, mas ele teve a impressão de reconhecer André e... ah, sim, Vervene, Heavenly, até Nettlesmith. Os abutres se reunindo, pensou Jamie, embora os principais estejam observando de suas janelas, como eu.
A escuridão o oprimia naquela noite. O fogo em sua sala era bom, mas agora parecia ter perdido o calor. Ele sentia a garganta apertada, uma pressão no peito. Controle-se, disse a si mesmo. Ela não é problema seu.
O capitão Strongbow foi o primeiro a passar para o cais, em seu grosso capote de marujo. Ainda era difícil ver com nitidez, mas sua aparência era inconfundível. Depois... ah, sim, MacStruan. Os dois se viraram, ajudaram-na a subir. Ela estava toda agasalhada contra o frio, empertigada, roupas escuras, touca escura, presa com a inevitável
Os outros dois passageiros subiram para o cais. Jamie reconheceu-os. Um momento de hesitação e depois ele saiu de sua sala, atravessou o corredor, até o gabinete do
— Ah, Jamie, não consigo vê-los direito. É mesmo ela?