— Não, claro que não, ele é cliente de uma amiga — apressou-se em dizer Raiko, abanando-se.

Sua mente fervilhava com as informações maravilhosas a transmitir ao shoya e à Gyokoyama, informações que lhe valeriam um enorme crédito... e também para Meikin. Ah, Meikin, pensou ela, de passagem, por quanto tempo mais você permanecerá viva? Sinto muito, mas você, e só você, terá de pagar, de um jeito ou de outro, Yoshi investiu demais em sua falecida Koiko, mas já sabe disso. O que me leva ao meu problema atual e premente: como posso, em nome de todos os deuses e de Amida Buda, me livrar de Hiraga, Katsumata e os outros dois, que se tornaram perigosos demais, e... Foi nesse instante que ela ouviu André dizer, com uma voz diferente:

— Então Hiraga cliente mama-san amiga na Yoshiwara. Hiraga com amiga agora. Neh?

Raiko tornou a suspender a guarda.

— Não sei onde ele se encontra. Imagino que está na colônia, como sempre, lorde Yoshi o procura? Por quê?

— Porque Hiraga é shishi. — André usou a palavra pela primeira vez, consciente do que significava, pelas revelações de Yoshi. — Também por matar daimio. Utani. Outras mortes também.

Ela não permitiu que o medo transparecesse em seu rosto.

— Terrível. Shishi, hem? Já ouvi falar deles. Sobre essa informação, velho amigo, posso perguntar...

— Hiraga desaparecer, Raiko. Não na colônia. Muitos soldados procurar. Sumir, Raiko. Procurar todos lugares. Ele sumir.

— Desapareceu, hem? Soldados? Foi para onde?

— Veio para cá. Ao encontro de sua amiga. Onde está sua amiga?

— Ah, sinto muito, mas duvido que ele esteja aqui. — Raiko falou com sinceridade, sacudiu a cabeça, enfática. — Provavelmente ele foi avisado e fugiu para Kanagawa ou algum outro lugar. Sinto muito, velho amigo, mas essa não é uma boa pergunta para se fazer. Suas informações são muito interessantes. Tem mais?

André suspirou. Sabia que ela sabia. Agora, Raiko se encontrava à sua mercê. Por algum tempo.

— Samurai Yoshi vir amanhã para seu Hiraga — disse ele, sem sentir mais medo, pois bastaria uma palavra sua e as patrulhas, japonesas ou britânicas, arrasariam a casa das Três Carpas... depois que Hinodeh fosse levada para um lugar seguro. — Se gai-jin não ter Hiraga amanhã muito problema, Raiko. Para gai-jin, Yoshiwara, todos.

A maneira como ele falou provocou um calafrio em Raiko.

— Talvez gai-jin mandar vigilantes aqui, ali, todos lugares — acrescentou André, deixando a ameaça pairar no ar.

— É mesmo? — murmurou ela, uma gota de suor se formando em seu lábio superior, apavorada pelo que estava para acontecer, todo o resto esquecido.

— Ter idéia: se você... desculpar... se sua amiga esconder Hiraga poucos dias, lugar secreto, seguro. Depois, momento certo, entregar Hiraga líder gai-jin, talvez ganhar muito dinheiro, bastante para você, Hinodeh, neh? — Ele a observava e Raiko fazia um grande esforço para não tremer. — Ou sua gente entregar Hiraga a Yoshi. Hiraga ser shishi, valioso... melhor do que brincos.

André viu-a estremecer e arrematou:

Shishi valioso, neh?

Quando o coração parou de trovejar tanto, e podia confiar em sua voz, Raíko empenhou-se em exibir o melhor sorriso de que era capaz, pois era evidente que ele acreditava que ela estava a par da presença de Hiraga ali, e assim poderia, provocado, lançá-la e à casa das Três Carpas a um perigo letal.

— Perguntarei à minha amiga se o tem visto, ou sabe onde ele se encontra, depois poderemos conversar.

Ela assumiu um tom conciliador, tendo decidido que era melhor tirar todos shishi de sua vida, o mais depressa possível. De preferência, ainda naquela noite.

— Que maravilhosas informações você descobriu, muito valiosas, e darão algum lucro, sem dúvida! Ah, Furansu-san... — acrescentou ela, como se urna súbita lembrança, para desviá-lo ainda mais — ...soubemos que uma dama gai-jin chegou de Hong Kong esta noite. É a famosa mãe do tai-pan?

— Como? Não — murmurou André, distraído. — Ela prometida casamento mercador. Por quê?

— Seria um dos meus clientes, velho amigo?

— Não. Acho ele ir estalagem Suculenta Alegria, um ano, talvez mais. Jamie McFay.

— Jami-san? Jami-san da Struan?

Puxa, pensou Raiko, no mesmo instante, Nemi vai precisar saber disso, e depressa. Deve estar preparada para se apresentar a esta dama na casa grande da Struan, fazer uma reverência, dar as boas-vindas, assegurar que vem cuidando bem de Jami-san — é muito importante haver boas relações entre nee-go-san, a segunda dama, uma consorte, e oku-san, a esposa —, porque a esposa paga todas as contas, e depois convidá-la a uma visita de retribuição na casa de Jami nos jardins da Suculenta Alegria. Seria ótimo, pois assim todas nós poderíamos dar uma boa olhada nela.

— Furansu-sama, há um rumor de que os gai-jin puseram um japonês na prisão esta noite.

— O quê? Não saber nada respeito. Talvez descobrir mais tarde. Não importante. Escute, sobre Hinodeh...

Raiko interrompeu-o, jovial:

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