— Hinodeh me perguntou, antes, se você a honraria com sua visita esta noite. Ela ficará muito satisfeita por você ter vindo.
André sentiu uma pressão no peito. Agora que tinha Raiko sob seu controle, pediria a ela, não, mandaria que dissesse a Hinodeh para renunciar à condição da luz. Mas, de repente, ele teve medo de fazê-lo.
— O que é?
— Nada — murmurou André. — Eu ir Hinodeh.
Depois que ele saiu, Raiko tomou um pouco de conhaque para firmar os nervos, mastigou algumas folhas de chá fragrantes para eliminar o cheiro e depois, preocupada, procurou os três
— Sinto muito, mas seria melhor se partissem esta noite, mais seguro para vocês — disse ela, a voz impregnada de medo. — Katsumata-sama, esse cliente jurou que vigilantes e soldados
Os três ficaram em silêncio, ao tomarem conhecimento das negociações secretas de Yoshi com os
— Obrigado, Raiko-san, prestou-nos um grande serviço. Podemos partir ou podemos ficar, mas de qualquer forma você será bem recompensada.
— Acredito com toda sinceridade que seria melhor se fossem embora e...
A voz ríspida de Katsumata nao a deixou continuar:
— De qualquer maneira, você será bem recompensada. Enquanto isso, vamos conversar sobre o melhor modo de protegê-la.
Ela não queria se retirar, mas fez uma reverência, agradeceu e saiu para a noite. Ao se encontrar a uma distância segura, amaldiçoou-o e aos outros, também a André, ao mesmo tempo em que decidia quem seria a pessoa de confiança que levaria as informações de André a Meikin.
— Acendam as lanternas — ordenou Katsumata.
Todas haviam sido abaixadas, a maioria apagada, quando Raiko abrira e fechara a porta e o vento invadira a sala. Com a porta fechada outra vez, as poucas chamas restantes assentaram, a não ser por uma ou outra aragem isolada.
— Escute, Hiraga — disse ele, bem baixo, para que ninguém lá fora pudesse ouvir —, vou buscar mais homens e voltarei em três dias. Esconda-se aqui, é mais seguro do que ir comigo, use um novo disfarce, refugie-se no túnel. Se for esperto, estará seguro.
— Certo,
— Daqui a três dias arrasamos Iocoama, afundamos o navio, matamos tantos
— É melhor eu acompanhá-lo,
— Não. Fique com Hiraga. — Katsumata não queria ser estorvado e se sentia contrafeito demais dentro da cerca da Yoshiwara. — Partirei no momento em que as barreiras forem abertas.
— É o melhor plano — disse Hiraga. —
Ele sentia-se nauseado e inebriado ao mesmo tempo, consternado com a perspectiva dos homens de Yoshi chegando no dia seguinte, ou vigilantes, e de ser capturado — o que era inevitável, agora que Yoshi se empenhava pessoalmente nisso — sabendo também que o
Ao mesmo tempo, experimentava profundo alívio. Agora que seu fim se tornara inevitável, não havia motivo para não se lançar com todo o ânimo ao ataque.
Três dias constituem uma vida inteira. Com Katsumata ausente, quem sabe o que pode acontecer? De qualquer jeito, não serei capturado vivo.
— Por Deus, Jamie, olhe só! — exclamou Dmitri.
Jamie olhou para a porta, assim como os outros vinte convidados espalhados pela sala de recepção da legação russa. As conversas cessaram por um instante e logo recomeçaram, alvoroçadas. Angelique entrava no braço de Sir William. Um vestido preto simples, de mangas completas, que realçava a palidez, mas também o lustro da pele e o pescoço perfeito, a cintura pequena, as curvas dos seios, um traje condizente com o luto, mas não havia como duvidar da magia oculta. Os cabelos levantados. Sem jóias, exceto um colar fino de ouro e o anel de casamento — O anel de sinete de Malcolm, agora ajustado para ficar firme em seu dedo.
— Ela é de vinte e quatro quilates.
— Concordo — murmurou Jamie.
Depois, sentindo outra comoção, ele olhou ao redor. Do outro lado da sala, Maureen sorriu-lhe, cercada por homens, entre os quais Pallidar. Jamie retribuiu ao sorriso, gostando do que via, ainda atordoado pela chegada de Maureen, impressionado por sua coragem em fazer sozinha uma viagem tão formidável. O que vou fazer?
— Incrível a história de Hong Kong e o funeral de Malc, hem?
— É verdade, Dmitri. Eu teria apostado que Tess nunca faria isso.