O banco, o maior de Hong Kong, sustentava todo o esquema, com a aprovação do conselho diretor de doze homens, entre os quais figurava Tyler Brock. As ações e a liquidez da Brock and Sons eram a garantia nominal. Para todos os efeitos e propósitos, o Victoria era dominado pela Brock. O velho Brock fora um dos fundadores, em 1843, escolhera os outros membros da diretoria — excluindo para sempre qualquer diretor da Struan — conservara uma participação acionária de Quarenta por cento e mantinha o controle dos votos em caráter permanente, numa proporção no mínimo de nove para três. Ao mesmo tempo em que apoiava a Brock nas operações internacionais, o conselho diretor concordara em destruir a Struan pela posse de todas as suas dívidas, que venceriam a 30 de janeiro — esse prazo e os métodos questionáveis da aquisição clandestina e a longo prazo também eram evidentes nos documentos de Gornt.

Excitado, Gornt ressaltara que a Brock and Sons, pela primeira vez, se tornara vulnerável — nunca antes haviam oferecido o controle da companhia como garantia. O Victoria era a chave para a Caixa de Pandora. E a chave para o banco era o conselho diretor. Era preciso subvertê-lo, inverter sua posição, retirar o apoio financeiro a Tyler e Morgan no dia correto, deixando-os desprovidos, sem os recursos necessários para acionar sua máquina. Enquanto isso, evidências do plano, tiradas dos documentos de Gornt, e o aviso de que o Victoria não mais apoiaria a operação seriam despachados num clíper para Washington, indo parar nas mãos certas, que deveriam promover o confisco, já que sem o apoio do banco não haveria açúcar para negociar por algodão ou armamentos. Mas isso tinha de ser feito agora, antes que fosse reestruturado o controle acionário do banco.

Como inverter a posição do conselho diretor era a essência do plano de Gornt.

Os documentos revelavam fatos bastante embaraçosos sobre os antecedentes de dois membros pró-Tyler Brock, tão graves que seus votos penderiam para quem possuísse aquelas provas. Sete a cinco. Havia mais fatos sobre um outro homem, embora menos perniciosos, e mais questionáveis. Um possível seis a seis.

A idéia de Gornt era de que Tess procurasse o presidente do conselho, numa reunião particular, apresentasse os fatos, informasse que os detalhes do esquema já estavam a caminho de Washington e apresentasse uma proposta.

— Eles puxam o tapete da Brock e se inclinam para você e a Struan, concedendo uma prorrogação de seis meses ao vencimento das dívidas, duas vagas no conselho, o imediato controle da Brock, com a venda do patrimônio a um preço de barganha, o suficiente para cobrir o débito, deixando Tyler e Morgan Brock se afogarem no açúcar que não poderão pagar. E, por último, o banco concorda em dividir os quarenta por cento de ações confiscados, que pertenciam à Brock, em quatro partes, uma para o presidente do conselho, outra para dois membros à sua escolha, uma para a Casa Nobre.

— Em troca do quê? Por que o banco haveria de trair Tyler? — perguntara Tess. Jogo duplo, não é esta a expressão que os americanos usam?

— É, sim, madame, mas neste caso seria triplo. Porque o conselho aceitaria a proposta? Porque sairão como grandes vencedores, o presidente e os outros, porque odeiam Tyler Brock, em particular, ao mesmo tempo em que o temem, como todas as pessoas. Não a odeiam, porque representa a Casa Nobre, não constitui uma ameaça para eles. O ódio, não apenas o dinheiro, é a graxa que faz as engrenagens do mundo funcionarem.

— Não concordo, mas vamos deixar isso de lado. De volta a seu sinete mítico. O que faria com ele? — O sorriso de Tess fora cético. — Se conseguisse obtê-lo.

— Qualquer coisa que quiser, madame.

— Talvez devesse trazê-lo para cá, no Prancing Cloud.

— Sinto muito, mas seria cedo demais, a menos que deixe o navio esperando por uma ou duas semanas. Eu o trarei no momento oportuno.

— Por que a espera? Mande por Strongbow, que é de confiança.

— Eu o tratei no momento oportuno.

Os olhos de Tess, tão claros e parecendo inocentes na maior parte do tempo, penetraram-no como ferro derretido e ele acrescentara:

— Prometo.

— Vamos deixar isso de lado, por enquanto. O preço, Sr. Gornt?

— Prefiro lhe dizer quando voltar, madame. Ela rira, sem qualquer humor.

— Tenho certeza que sim. Pensei que me conhecesse bastante bem, a esta altura, para não tentar me pressionar, nem à Struan. Pode protelar até o último momento, quando terei de desfechar o ataque de qualquer maneira, contra Tyler e contra o banco, deixando a Struan exposta demais. Assim, eu teria de concordar com suas exigências, quaisquer que fossem.

— Deve haver confiança dos dois lados. Eu lhe dei as evidências de que precisa para destruir Tyler Brock e Morgan, por um acordo que me promete no futuro. Estou confiando que cumprirá a sua parte, madame. Não é pedir demais um pequeno adiamento. Juro que voltarei a tempo. Trarei de Iocoama a glacê do bolo e o preço será justo.

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