Era a decisão
Impulsiva, Angelique ajoelhou-se ao lado da cama, fechou os olhos, pediu a sua bênção, expressou seus fervorosos agradecimentos, e outra vez disse que sentia muito, mas agradecia pela remoção do fardo, Sua vontade será feita. Depois, tornou a se meter sob as cobertas, pronta para o café e o mundo. O café naquele momento, nove horas, era um costume aos domingos, mal tinha tempo suficiente para tomar um banho, se vestir e ir à igreja.
Igreja! Por que não?, pensou ela, devo apresentar meus agradecimentos, mas sem confissão.
— Ah Soh, traga meu banho e...
Ah Soh a fitava aturdida, os olhos vidrados. Abruptamente, ela compreendeu que a criada devia ter visto manchas de sangue na parte de trás da camisola. Ah Soh apressou-se em dizer:
— Buscar banho.
Ela se encaminhou para a porta, mas Angelique chegou lá na sua frente e empurrou-a de volta.
— Se contar a alguém, arrancarei seus olhos!
— Não compreender,
— Ah, sim, claro que compreende!
Angelique disse a imprecação em cantonês como ouvira Malcolm pronunciá-la uma ocasião, quando ficara furioso com Chen, que empalidecera ao ouvir. Ele nunca lhe dissera o que as palavras significavam, mas causaram o mesmo efeito em Ah Soh, cujas pernas quase cederam.
— Aiiiii!
— Se você falar, Ah Soh,
— Compreender! Segredo,
Controlando sua fúria, embora o coração ainda estivesse disparado, Angelique empurrou a mulher em direção à cama e tornou a se deitar. Autoritária, apontou para a xícara de café.
—
Cheia de humildade e medo genuíno, Ah Soh serviu o café, entregou a xícara e ali ficou parada, submissa.
— Não fale nada, arrume a cama, limpe as roupas! Segredo!
— Compreender,
— Não fale nada! Ou... — As unhas de Angelique cortaram o ar. —O banho! Ah Soh retirou-se apressada para buscar a água quente, mas antes, ofegante foi sussurrar a notícia para Chen, que revirou os olhos para o céu, e disse:
— Ah, o que
Depois, Chen saiu correndo, a fim de enviar a notícia pelo navio mais veloz para o ilustre compradore Chen, que lhes ordenara que o informassem de imediato, qualquer que fosse o custo.
O café estava delicioso. Acalmou o estômago e o espírito de Angelique, desfez a ligeira intumescência. Uma das autênticas alegrias de Angelique no mundo era o café da manhã, ainda mais com
Primeiro, a igreja. Fingirei que nada aconteceu, por enquanto... Ah Soh não ousará contar qualquer coisa. A quem dizer primeiro? Hoag? André? Edward? O Sr. Skye?
Já conversara a respeito com Heavenly Skye. Seu conselho fora o de que não tinham opção senão esperar, descobrir o que Hoag faria, e depois o que Tess faria. A carta de Tess para ele fora sucinta:
— Uma escolha interessante das palavras — comentara Skye.
— Você parece assustado, como se já tivéssemos perdido.
— Absolutamente, Angelique. Nossa única posição é a de esperar. A iniciativa cabe a ela.
— Pela próxima correspondência, quero que você escreva para os advogados da Struan, pedindo um relatório sobre o espólio do meu marido.
Era uma idéia sugerida por André, favorável à abertura de uma ofensiva imediata.
— Com prazer, se você quiser cair na armadilha dela.
— Como assim?
— Sua única postura é a de criança-viúva magoada e injuriada, atraída a um casamento prematuro por um homem de vontade forte... não a viúva pobre e gananciosa de um marido rico e pródigo, que se pôs contra os desejos da mãe ao casar com uma mulher pobre, de antecedentes questionáveis... por favor, não se zangue, só estou lhe dizendo o que pode e provavelmente será dito. Deve esperar, minha cara, torcendo para que Tess se comporte como um ser humano deveria. Se a criança de Malcolm... hum... está a caminho, isso seria uma grande ajuda.
— E se não estiver?
— Vamos considerar essa possibilidade quando acontecer... isto é, quando não acontecer. Haverá muito tempo para...
— Não tenho muito tempo. Meu dinheiro vai acabar.
— Seja paciente...