- Ah, - disse Holmes - acho que o que teve a bondade de nos contar esclarece bem as coisas e posso deduzir o resto. O Sr. Rucastle, presumo, recorreu então a essa forma de prisão?

- Sim, senhor.

- E trouxe a Srta. Hunter de Londres para se livrar da persistência desagradável do Sr. Fowler.

- Foi isso mesmo, senhor.

- Mas o Sr. Fowler, sendo perseverante, corno todos os homens do mar devem ser, cercou a casa e, travando conhecimento com a senhora, conseguiu com certos argumentos, metálicos ou não, convencê-la que seus interesses eram iguais aos dele.

- O Sr. Fowler era um cavalheiro de palavras bondosas e mão aberta -disse a Srta. Toller serenamente.

- E dessa forma conseguiu que seu marido tivesse bastante bebidas à mão e que uma longa escada estivesse pronta assim que seu patrão saiu.

- O senhor está certo, senhor, foi assim mesmo que aconteceu.

- Estou certo que lhe devemos um pedido de desculpas, Sra. Toller -disse Holmes. - A senhora certamente esclareceu tudo que nos perturbava. E aí vem o médico do Condado e a Sra. Rucastle e acho, Watson, que é melhor levarmos a Srta. Hunter para Winchester, pois parece que nosso ZOCUS Standí no momento é altamente duvidoso.

E assim foi solucionado o mistério da casa sinistra com as faias roxas em frente. O Sr. Rucastle sobreviveu, mas ficou para sempre um homem alquebrado, mantido vivo somente pelos cuidados de sua devotada esposa. Vivem ainda com seus velhos empregados, que provavelmente sabem tanto sobre o passado de Rucastle que ele acha difícil se separar deles. O Sr. Fowler e a Srta. Rucastle casaram, por licença especial, em Southampton no dia seguinte ao de sua fuga e ele agora foi designado pelo governo para um posto na Ilha de Mauritius. Quanto à Srta. Violet Hunter, meu amigo Holmes, para meu grande desapontamento, não manifestou mais nenhum interesse nela desde que cessou de ser o centro de um de seus problemas, é agora diretora de uma escola particular em Walsall, onde creio que faz grande sucesso.

*

FIM

Memórias de Sherlock Holmes

silver blaze

– Lamento, Watson, mas preciso ir – disse Holmes, quando nos sentávamos para o breakfast , certa manhã.

– Ir! Para onde?

– Dartmoor. King’s Pyland.

Não me surpreendi. Na verdade, o que me espantava era o fato de ele ainda não ter se envolvido naquele caso extraordinário, tema das conversas de um extremo a outro da Inglaterra. Meu amigo havia passado o dia inteiro perambulando pela sala, cabisbaixo, cenho franzido, abastecendo e reabastecendo o cachimbo com fumo negro e forte, surdo a minhas perguntas ou observações. Novas edições de todos os jornais nos eram enviadas pelo jornaleiro e atiradas a um canto depois de uma olhada superficial. Apesar do seu silêncio, eu sabia perfeitamente sobre o que ele estava meditando. Perante o público havia apenas um problema capaz de desafiar

a sua capacidade analítica: o estranho desaparecimento do favorito da Copa Wessex e o trágico assassinato do seu treinador. Quando Holmes anunciou de repente a intenção de ir até o  local da tragédia, fez, portanto, apenas o que eu previa e esperava que fizesse.

– Teria muito prazer em acompanhá-lo, caso não atrapalhe – falei.

– Meu caro Watson, você me faria um imenso favor se viesse comigo. E creio que não desperdiçará seu tempo, porque há aspectos deste caso que o tornam absolutamente singular. Acho que chegaremos no momento exato de pegar o trem em Paddington. Explicarei melhor o assunto durante o trajeto. E eu ficaria grato se você levasse o seu excelente binóculo.

E foi assim que, cerca de uma hora mais tarde, eu estava num canto de um vagão de primeira classe a caminho de Exeter, enquanto Sherlock Holmes, com seu rosto atento contornado pelo boné de viagem com protetor de orelhas, mergulhava rapidamente na pilha de edições recentes dos jornais que havia comprado em Paddington. Reading já tinha ficado para trás quando ele atirou a última debaixo do banco e ofereceu-me a sua charuteira.

– Estamos andando bem – disse, olhando pela janela e depois verificando o relógio. – Nossa velocidade no momento é de 80 quilômetros horários.

– Não reparei nos postes de marcação da estrada.

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