Alguns dos seus convidados eram menos moderados. Bebiam demais e gabavam-se alto demais para o gosto de Catelyn. Os filhos de Lorde Willum, Josua e Elyas, discutiram calorosamente quem seria o primeiro a ultrapassar as muralhas de Porto Real. Lorde Varner embalou uma criada nos joelhos, enterrando o nariz no seu pescoço enquanto uma mão exploratória invadia o interior do seu corpete. Guyard, o Verde, que se achava cantor, dedilhou uma harpa e mostrou-lhes uns versos acerca de dar nós em caudas de leões, alguns dos quais até rimavam. Sor Mark Mullendore havia trazido um macaco preto e branco e o alimentava com pedaços do seu próprio prato, enquanto Sor Tanton, dos Fossoway da maçã vermelha, saltou para cima da mesa e jurou matar Sandor Clegane em combate singular. O voto poderia ter sido recebido com mais solenidade se Sor Tanton não tivesse enfiado um pé numa molheira enquanto o proferia.
O ápice da tolice foi atingido quando um bobo rechonchudo chegou às cambalhotas, revestido de lata pintada de dourado com uma cabeça de leão de pano, e perseguiu um anão ao redor das mesas, batendo na sua cabeça com uma bexiga. Por fim, Rei Renly quis saber por que ele estava batendo no irmão.
– Ora, Vossa Graça, sou o Fratricida – o bobo respondeu.
– É
Lorde Rowan, ao lado de Catelyn, não se juntou à folia:
– São todos tão novos – ele disse.
Era verdade. O Cavaleiro das Flores não devia ter chegado ao segundo dia do seu nome quando Robert matara o Príncipe Rhaegar no Tridente. Poucos dos outros eram muito mais velhos. Eram bebês durante o Saque de Porto Real e não passavam de garotos quando Balon Greyjoy tinha levantado a rebelião nas Ilhas de Ferro.
– A guerra vai torná-los velhos – Catelyn respondeu. – Como nos tornou – ela era uma garota quando Robert, Ned e Jon Arryn ergueram os estandartes contra Aerys Targaryen e uma mulher quando a luta terminou. – Sinto pena deles.
– Por quê? – perguntou-lhe Lorde Rowan. – Olhe para eles. São jovens e fortes, cheios de vida e de risos. E de luxúria, sim, tanta, que não sabem o que fazer dela. Muitos bastardos serão gerados hoje, garanto. Pena por quê?
– Porque não durará – Catelyn disse com tristeza. – Porque eles são os cavaleiros do verão, e o inverno está chegando.
– Senhora Catelyn, está enganada – Brienne olhava-a com uns olhos tão azuis como sua armadura. – O inverno nunca chegará para gente como nós. Se morrermos em batalha, certamente cantarão sobre nós, e nas canções é sempre verão. Nas canções, todos os cavaleiros são galantes, todas as donzelas são belas, e o sol sempre brilha.
O rei a salvou.
– Senhora Catelyn – Renly chamou. – Sinto que preciso tomar um pouco de ar. Vem comigo?
Catelyn ficou imediatamente em pé.
– Ficarei honrada.
Brienne também se levantou.
– Vossa Graça, dê-me apenas um momento para vestir a cota de malha. Não deve andar sem proteção.
Rei Renly sorriu.
– Se não estiver a salvo no coração do castelo de Lorde Caswell, com minha tropa ao meu redor, uma espada não fará diferença… Nem mesmo a
As palavras dele pareceram atingir a moça com mais força do que qualquer golpe que tivesse recebido naquela tarde.
– Às suas ordens, Vossa Graça – Brienne sentou-se, com os olhos baixos.
Renly tomou o braço de Catelyn e saiu do salão, passando por um guarda desleixado que se endireitou tão apressadamente que quase deixou cair a lança. Renly deu uma palmada no ombro do homem e fez um gracejo com a situação.
– Por aqui, senhora – ele a levou por uma porta baixa em direção a uma escada da torre. Ao começarem a subir, disse: – Por acaso Sor Barristan Selmy está com seu filho em Correrrio?
– Não – ela respondeu, confusa. – Ele não está mais com Joffrey? Era o Senhor Comandante da Guarda Real.
Renly sacudiu a cabeça: