– Estou aqui, sor.
– Vossa Graça – o cavaleiro esporeou mais a montaria para que se aproximasse. – Vim tão depressa como pude. De Ponta Tempestade. Estamos cercados, Vossa Graça. Sor Cortnay enfrenta-os, mas…
– Mas… Isso não é possível. Eu teria sido informado se Lorde Tywin tivesse deixado Harrenhal.
– Estes não são Lannister, meu suserano. É Lorde Stannis quem está nos seus portões. O
Jon
Um sopro de chuva chicoteou o rosto de Jon quando esporeou o cavalo para atravessar o córrego em cheia. Ao seu lado, o Senhor Comandante Mormont deu um puxão no capuz do seu manto, resmungando pragas contra o tempo. Seu corvo empoleirava-se no seu ombro, com as penas eriçadas, tão empapado e rabugento como o próprio Velho Urso. Uma rajada de vento fez folhas molhadas voarem em volta deles como um bando de aves mortas.
Esperava que Sam estivesse aguentando lá no fim da coluna. Não era um bom cavaleiro mesmo com tempo firme, e seis dias de chuva tinham tornado o terreno traiçoeiro, todo transformado em lama mole e pedras escondidas. Quando o vento soprava, arremessava água diretamente nos olhos. A Muralha devia estar escorrendo para o sul, com o gelo que derretia misturado com a chuva morna, fluindo em rios e riachos. Pyp e Sapo estariam sentados junto ao fogo na sala comum, bebendo taças de vinho condimentado antes do jantar. Jon invejava-os. A lã molhada aderia à sua pele ensopada, provocando-lhe coceira, o pescoço e ombros doíam fortemente devido ao peso da cota de malha e da espada, e estava farto de bacalhau salgado, carne salgada e queijo duro.
Adiante, um berrante soltou uma nota trêmula, meio afogada pelo bater constante da chuva.
– O berrante de Buckwell – anunciou o Velho Urso. – Os deuses são bons; Craster ainda está ali – o corvo bateu as asas uma vez, crocitou “
Jon ouvira frequentemente os irmãos negros contarem histórias sobre Craster e sua fortaleza. Agora, iria vê-la com seus próprios olhos. Depois de sete aldeias vazias, tinham todos começado a temer encontrar a de Craster tão morta e desolada como as outras, mas parecia que seriam poupados disso.
Thoren Smallwood jurava que Craster era amigo da Patrulha, apesar da sua reputação indecente.
– O homem é meio louco, não nego – tinha dito ao Velho Urso –, mas o senhor também seria se passasse a vida nesta floresta amaldiçoada. Seja como for, nunca afastou um patrulheiro da sua fogueira e não tem amizade por Mance Rayder. Ele vai nos dar bons conselhos.
– E, pior – acrescentava o velho guarda da floresta, batendo os seus dentes de madeira –, aquele homem tem um cheiro
– Jon – ordenou Lorde Mormont –, percorra a coluna e espalhe a notícia. E lembre aos oficiais que não quero caso com as mulheres de Craster. Os homens deverão ter tento nas mãos e falar o mínimo possível com aquelas mulheres.
– Sim, senhor – Jon virou o cavalo e seguiu por onde tinha vindo. Era agradável deixar de ter a chuva na cara, mesmo que por pouco tempo. Todos aqueles por que passava pareciam estar chorando. A fila estendia-se ao longo de meia milha de floresta.
No meio da caravana com a bagagem, Jon passou por Samwell Tarly, afundado na sela sob um grande chapéu mole. Montava um cavalo de carga e levava os outros pelas correias. O tamborilar da chuva nas coberturas das gaiolas fazia os corvos crocitarem e baterem as asas.
– Pôs uma raposa lá dentro com eles?
Escorreu água da aba do chapéu de Sam quando ele ergueu a cabeça.
– Ah, olá, Jon. Não, eles só detestam a chuva, assim como nós.
– Como é que você está, Sam?
– Molhado – o rapaz gordo conseguiu dar um sorriso. – Mas nada me matou ainda.
– Ótimo. A Fortaleza de Craster fica logo ali na frente. Se os deuses forem bons, ele vai nos deixar dormir junto à sua lareira.
Sam fez uma expressão de dúvida.
– Edd Doloroso diz que Craster é um terrível selvagem. Casa com as filhas e não obedece a lei nenhuma além das suas. E Dywen disse a Grenn que ele tinha sangue negro nas veias. A mãe dele era uma selvagem que dormiu com um patrulheiro, e, portanto, ele é um bas… – de repente, o rapaz percebeu o que estava prestes a dizer.