– Pode estar morto – concordou Esgred. – Mas, se for vivo, ora, passou tanto tempo no mar que seria quase um estranho aqui. Os homens de ferro nunca poriam um estranho na Cadeira de Pedra do Mar.
– Suponho que não – Theon respondeu, antes de lhe ocorrer que alguns também
Pensou em voltar a acariciar o seio de Esgred, mas o mais certo era que ela se limitasse a afastar sua mão, e toda aquela conversa sobre os tios tinha esfriado um pouco seu ardor. Haveria tempo suficiente para aquelas brincadeiras no castelo, na privacidade dos seus aposentos.
– Falarei com Helya quando chegarmos a Pyke, e vou me assegurar de que tenha um lugar de honra no banquete – ele disse. – Tenho de me sentar no estrado, à direita do meu pai, mas descerei para junto de você quando ele sair do salão. Ele raramente fica por muito tempo. Hoje em dia, não tem barriga para a bebida.
– É coisa penosa quando um grande homem envelhece.
– Lorde Balon não é mais do que
– Um fidalgo modesto.
– Só um tolo se rebaixa quando o mundo está tão cheio de homens ansiosos por fazer esse serviço por ele – deu um pequeno beijo na parte de trás do seu pescoço.
– O que usarei nesse grande banquete? – ela esticou a mão para trás e empurrou seu rosto para longe.
– Pedirei a Helya para vesti-la. Um dos vestidos da senhora minha mãe talvez sirva. Ela está em Harlaw, e não se espera que retorne.
– Ouvi dizer que os ventos frios a afastaram. Não vai visitá-la? Os navios chegam a Harlaw em um dia, e decerto a Senhora Greyjoy anseia por um último vislumbre do seu filho.
– Bem que gostaria de poder. Mantêm-me aqui ocupado demais. Meu pai depende de mim, agora que voltei. Quando chegar a paz, talvez…
– Sua chegada poderá trazer paz
– Agora está soando como uma mulher – Theon se lamentou.
– Confesso, é o que sou… e recém-engravidada.
Sem saber por que, aquilo o excitava.
– É o que diz, mas seu corpo não mostra nenhum sinal de estar grávida. Como vai provar? Antes que acredite em você, terei de ver seus seios crescendo e saborear seu leite de mãe.
– E o que dirá disso meu marido? Um servo do seu pai e a ele juramentado?
– Daremos tantos navios para ele construir que nem notará que foi abandonado.
Ela soltou uma gargalhada.
– É um fidalgo cruel, este que me raptou. Se lhe prometer que um dia poderá ver meu bebê mamando, vai me contar mais da sua guerra, Theon da Casa Greyjoy? Ainda temos quilômetros e montanhas à nossa frente e gostaria de ouvir falar desse rei lobo a quem tem servido e dos leões dourados que ele combate.
Ansioso por agradar, Theon fez sua vontade. O resto da longa cavalgada passou rapidamente, enquanto ele enchia a bonita cabeça dela com histórias sobre Winterfell e a guerra. Algumas das coisas que ela disse o espantaram.
Pareceu quase não ter passado tempo algum quando a grande muralha exterior de Pyke se avolumou à frente deles.
Os portões estavam abertos. Theon esporeou Sorridente e os atravessou a trote rápido. Os cães latiam como loucos enquanto ele ajudava Esgred a desmontar. Vários vieram até eles aos saltos, abanando as caudas. Passaram por ele como se não estivesse ali, e quase atiraram a mulher ao chão, saltando em volta dela, latindo e lambendo.
– Fora – Theon gritou, dando um chute ineficiente em uma grande cadela marrom, mas Esgred ria e brincava com eles.
Um palafreneiro veio atrás dos cães.
– Leve os cavalos – ordenou-lhe Theon – e afaste estes malditos cães…
O rústico não prestou atenção nele. Seu rosto abriu-se num enorme sorriso esburacado e disse:
– Senhora Asha. Regressou.
– Na noite passada – ela disse. – Vim de Grande Wyk com Lorde Goodbrother e passei a noite na estalagem. Meu irmãozinho teve a bondade de me deixar vir de Fidalporto com ele – beijou um dos cães no focinho e sorriu para Theon.