Quase tropeçando, correram pela estreita abertura no muro meio queimado, onde Akimoto e outro homem esperavam, numa segunda emboscada. Sem hesitação, os dois liquidaram o primeiro atacante, gritando “
Os samurai
Na frente do portão em ruínas, Anjo estava agora cercado por guardas. Cinco dos seus homens haviam sido mortos, dois se achavam gravemente feridos. Os dois
A chuva começou a cair. O samurai parado diante do jovem tornou a perguntar:
— Quem é você? Qual é o seu nome? Quem o mandou? Quem é seu líder-
— Já disse, sou um
— Ele está mentindo, Sire — declarou um oficial, ofegante.
— Claro que está — disse Anjo, furioso. — Mate-o.
— Respeitosamente, solicito permissão para cometer seppuku.
— Mate-o!
O oficial, enorme, parecendo um urso, deu de ombros e avançou para o jovem. De costas para o ancião, ele sussurrou:
— Tenho a honra de agir como seu representante. Estique o pescoço.
A espada zuniu pelo ar, enquanto ele desfechava o golpe único. Formalmente, levantou a cabeça pelo topete, mostrando-a a Anjo.
— Eu vi — disse Anjo, seguindo o ritual correto, ao mesmo tempo em que sufocava de raiva por aqueles homens terem ousado atacá-lo, terem ousado deixá-lo apavorado, a ele, o chefe do
— Com todo respeito, solicitou que ele tenha permissão para cometer seppuku.
Anjo já ia gritar que o oficial tinha de matar o assassino em potencial brutalmente ou cometer seppuku ele próprio, mas sentiu o súbito antagonismo coletivo dos samurai
Ele fingiu considerar o pedido. Quando conteve a fúria, acenou com a cabeça, virou-se e se encaminhou para os portões do castelo, sob a chuva crescente. Seus homens o acompanharam, enquanto os demais circulavam Jozan.
— Pode descansar por um momento,
— Obrigado.
Jozan se preparara para aquele momento desde que, com Ori, Shorin e os outros, jurara “Honrar o imperador e expulsar os estrangeiros”. Concentrando as forças que lhe restavam, ficou de joelhos e descobriu, horrorizado, que estava com medo de morrer. O oficial percebeu o terror, já esperava por isso. Adiantou-se no mesmo instante, agachou-se ao lado de Jozan.
— Tem um poema de morte,
A voz era suave, para encorajar o jovem, fazer com que as lágrimas cessassem.
— Do nada para o nada, uma espada corta seu inimigo, uma espada corta o céu. Solte o seu grito de batalha, e viverá para sempre. Diga:
Durante todo o tempo, ele estivera se preparando. Com um movimento súbito e ágil, levantou-se, tirou a espada da bainha... e despachou o jovem para a eternidade.
— Puxa! — exclamou um de seus homens, com a maior admiração. — Uraga-san, foi um golpe maravilhoso.
— Sensei Katsumata, de
Seu coração batia forte, como nunca antes, mas estava satisfeito por ter cumprido seu dever como um samurai. Um dos seus homens levantou a cabeça pelo topete. A chuva se transformou em lágrimas, diluindo as verdadeiras.
— Limpem a cabeça e a apresentem a lorde Anjo. — Uraga olhou para os portões do castelo e murmurou, antes de se afastar: — Os covardes me repugnam.
Naquela noite, quando era seguro, Hiraga e os outros se esgueiraram do porão, que fora escolhido com antecedência. Por caminhos diferentes, seguiram para sua casa segura.
O céu estava nublado, a noite era escura, o vento forte espalhava a chuva por todos os lados. Não vou sentir frio, não vou sentir desconforto, sou um samurai, Hiraga disse a si mesmo, seguindo o padrão de treinamento que era mantido em sua família desde que podia se lembrar. Assim como treinarei meus filhos e filhas... se meu karma é ter filhos e filhas, pensou ele.
— É tempo de você casar — dissera o pai, um ano antes.
— Concordo, pai. Respeitosamente, solicito que mude de opinião, e me permita escolher meu próprio casamento.