Gargalhadas embriagadas dos homens ao redor abafaram sua voz por um momento. O clube estava cheio, ruidoso, impregnado de fumaça.
— Posso lhe dizer que esses cretinos não se importam, nem se preocupam, nenhum deles. A exceção era Canterbury. Ele se importava. — André levantara os olhos da borra em seu copo. — Você é jovem, ainda não foi conspurcado, parece disposto a aprender, e foi por isso que pensei... há muito o que aprender.
E, subitamente, ele fora embora.
Na noite seguinte, ao passarem pelos portões de Yoshiwara, André tirara do bolso sua pequena pistola.
— Você está armado, Phillip?
— Não.
André entregara a pistola ao untuoso atendente, que lhe dera um recibo e guardara a arma junto com outras.
— Não é permitido usar armas dentro da cerca... e o mesmo acontece em todas as Yoshiwaras. Até os samurai
À frente deles, nos dois lados da rua larga, assim como nas vielas transversais, havia fileiras de casas pequenas e impecáveis, muitas oferecendo comida ou apenas pequenos bares, todas construídas de madeira, com varanda e biombo, o
— O fogo é um risco imenso, Phillip. Todo este lugar foi destruído por um incêndio no primeiro ano, mas uma semana depois já voltara a funcionar.
Todas as casas exibiam placas individuais. Algumas tinham as portas abertas e janelas corrediças de
— Nunca se esqueça de que as Yoshiwaras são um lugar para a alegria, os prazeres da carne, e também para se comer e beber, e que não existe a noção de pecado no Japão, de pecado original, ou de qualquer outro tipo.
André rira e seguira na frente, através das multidões comportadas, exceto por umas poucas brigas de bêbados, que eram separados no mesmo instante, sem violência, por imensos e experientes guardas, que os sentavam em bancos, para receberem mais saquê, servidos por criadas sempre atenciosas.
— Os bêbados são bem-vindos aqui, Phillip, porque perdem a conta de seu dinheiro. Mas nunca puxe uma briga com um desses guardas, pois eles são fantásticos no combate desarmado.
— Em comparação com a nossa cidade dos bêbados, este lugar é muito disciplinado, tanto quanto o Regents Promenade, em Brighton.
Uma criada efusiva pegou Tyrer pelo braço e tentou puxá-lo por uma porta.
— Saquê? Tem coisa boa aqui...
— Iyé, domo, iyé — balbuciara Tyrer, não, obrigado, não. Ele se afastara apressado, para alcançar André.
— Por Deus, tive de dar um puxão para conseguir me desvencilhar!
— Esse é o trabalho delas.
André deixara a rua principal, através de uma passagem entre casas, e fora parar diante de um portão carcomido, numa cerca alta, com uma placa encardida por cima. Tyrer reconhecera os caracteres que André escrevera antes para ele: Casa das Três Carpas. À batida de André no portão, uma pequena grade se abrira. Olhos espiaram. O portão fora aberto, e Tyrer ingressara numa terra de maravilhas.
Um pequeno jardim, lanternas a óleo, luz de velas. Um caminho de pedras cinzentas e reluzentes, cercadas de musgo verde, arbustos floridos, muitos bordos pequenos — as folhas de vermelho sangue contra mais verde —, uma claridade alaranjada clara saindo pelo
—
André retribuíra com uma reverência.
— Raiko-san, konbanwa. Ikaga desu ka ? Boa noite, como tem passado?
—
A mulher fizera uma reverência solene, meio desajeitada, Tyrer respondera da mesma forma, e em seguida ela fizera um sinal para que a seguissem.
— Ela disse que Taira é um nome japonês famoso. Você tem sorte, Phillip. Quase todos nós somos conhecidos apenas por apelidos. Eu sou Furansu-san... o mais próximo que eles podem chegar de Francês.